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sábado, 11 de janeiro de 2014

O Terceiro Círculo (Inferno)

 Orcus havia sido por mil-anos, o senhor de Dites. Por mil-anos, nada passou por ele sem o seu consentimentos, sendo alma, demônio ou corpo estranho que não fazia parte do inferno. Faz 30 anos humanos que Orcus deixou de ser o senhor de Dites e faz 30 anos que Belzebu assumiu.

 - Dries Aglaio, suicidou-se. - diz uma voz feminina
 Uma alma entra em um salão oval e alto, com pilares que rodeavam a sala de cor de caramelo. No centro havia um trono de cobre, com uma mesa ao lado e um demônio "feminino" sentado nele com um livro. Sentado no trono estava Belzebu, estava com uma proteção corporal feita de ferro negro, ela cobria o peito, ombros, ante-braços, braços e cintura, sob a armadura, ele estava vestindo uma chíton.
 - Para o vale dos suicidas no segundo Vale! - diz Belzebu. - Próximo!
 - Adisa Adela, foi assassinada e em seguida estuprada. - diz o demônio auxiliar.
 - Crime em vida? - pergunta o senhor de Dites.
 - Heresia. - responde o demônio.
 - Para as catacumbas! Próxima alma condenada!
 - Lior Zabdi....
 - Zabdi? Hahahahahaha, seu sobrenome é engraçado. - gargalha Belzebu.
 - ..É o estuprador e assassino da alma anterior.
 - Mas por que está no sexto círculo? Minos devia te-lo enviado ao segundo círculo.
 Haviam dois "juízes" do inferno que encarregavam as almas aos devidos círculos, na primeira parte, quem cuidava era Minos, o rei de creta, que fora assassinado por Cócalo, rei da Sicilia. Na segunda, o demônio que ocupasse o trono de Dites, se tornaria o outro juiz.
 Minos tinha auxiliares que separavam as almas de local, morte e as guiavam para seus destinos, eles eram Éaco e Radamanto, seus irmãos em vida.
 - Senhor Belzebu? - pergunta o demônio auxiliar.
 - Envie para o Flegetonte no primeiro Vale.
 - Sim senhor, próxima!
 Durante 30 anos, Belzebu comandava Dites, mas aquilo se tornará cansativo. Era exaustivo passar a eternidade julgando mortos, não havia sentido para toda a força que ele obtivera.
 - Chame Baltazar! - ordena Belzebu.
 - Sim, senhor! - o demônio auxiliar vira para um dos pilares e faz um gesto, em seguida um harpia sai do alto pilar, toma voou e sai pela porta principal. - Só um momento senhor.
 Baltazar fora um dos servos de Baal e mesmo depois da junção ele continuou servindo fielmente, graças a isso ganhou um posto como braço direito.
 - Mandou me chamar? - diz uma voz.
 - Sim Baltazar, preciso falar-lhe um segundo. - diz Belzebu se levantando do trono. - Só vai levar alguns segundos escrivão.
 - Tudo bem senhor. - concorda o demônio auxiliar sem nome.
 Ao sair da sala do trono, Belzebu e Baltazar caminham pelas cidades de Dites enquanto conversam.
 - O que foi senhor? - pergunta Baltazar.
 - Isso não é o que eu queria e estou pretendendo abandonar o cargo. Só que ninguém senão um dos outros 6 senhores do mal e os 3 reis do inferno, conseguiram me matar, ou seja, vou acabar apodrecendo aqui.
 - Mas senhor, é um cargo digno.
 - Não pra mim! Eu quero a guerra, o combate, o embate de forças, quero uma razão maior do que julgar almas.
 - E o que tem em mente?
 - Trocaremos de lugar! - diz Belzebu enquanto para na passagem que liga o sexto com o sétimo círculo.
 - Senhor??? - pergunta Baltazar.
 - Você habita meu corpo e eu habito o seu, é como uma troca de rótulos, só que o conteúdo permanece inalterado.
 - Mas nossos poderes seriam afetados?
 - Não, apenas os corpos. É três coelhos em uma única paulada, pense bem, meu corpo está desgastado, não se desenvolveu junto com meus poderes, minha pele está apodrecendo.
 - Entendo, o que mais?
 - Eu não precisaria morrer, só trocaria de lugar, por fim, você assumiria um cargo que realmente lhe é digno.
 - Mas e se descobrirem?
 - Você ou eu, mata o ser, simples. - diz Belzebu.
 - E como vai ser? Caso eu aceite.
 - Será um ritual curto e em seguida você já assume o trono de Dites.
 - Eu precis...
 - Não, não precisa! Vejo que já aceitaras, vamos Baltazar, és mais ganancioso do que eu!
 - Temo por sua segurança, senhor.
 - Pare com isso Balthy, é o meu braço direito, confio em ti como ninguém, sei que fará a coisa certa!
 - Se és o que desejas, eu aceito senhor.
 - Então não demoremos mais!
 Atrás da sala do trono, havia um espaço vazio que era usado por algum dos senhores de Dites, como sala pra meditação. Era um ritual simples, círculos, símbolos, gotas de sangue das duas pessoas e palavras ritualísticas.
 - Baltazar meu caro, serei eternamente grato a ti! - diz Belzebu antes de citar as palavras.
 - Aonde vai depois daqui?
 - Cocytos!
 - Por qual motivo?
 - Nenhum, apenas por diversão! Agora voltemos ao ritual.. - diz Belzebu voltando-se para as palavras.
 Após ser conjurado o ritual, raios roxos passam atravessam o ar, diante deles e acerta as paredes e os símbolos. Os dois erguem a cabeça e abrem a boca, dando passagem para as suas almas saírem do corpo, elas se cruzam no ar e entram em seus novos hospedeiros.
 - E como foi? - pergunta o corpo de Belzebu.
 - Deu certo caro Balthy. - diz o corpo de Baltazar.
 - Agora eu sou Belzebu e você Baltazar!
 - Sim, devo isso a você.
 - Eu vou cobrar, hahahahaha.
 - Até mais ver, qualquer coisa.. - tira uma moeda do bolso - ..sabe onde me encontrar.
 - Boa sorte aonde vai.
 - Reinado longo e duradouro, Belzebu.
 - Obrigado, novo Baltazar...












(Zabdi, da língua árabe, quer dizer "bem dotado")

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