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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Quinto Círculo (Celeste)

 Um arcanjo, ser celeste, é dotado de poderes concedidos por Deu, como o voou, habilidade de expurgar um mal que se esconde sob o véu da verdade, trazer para a luz aquela entidade escondida da visão e conceder o perdão divino. Fora isso, ele possui artefatos que lhe completa a árdua missão que eliminar o mal, como a espada avermelhada que é nomeada de Mougai, um frasco que aprisiona um mal por vez e uma cabaça que invocava os ventos do Oeste. As vezes, seres celestes precisam enviar mensagens para humanos ou tomar ações que resultam por isso, possuem corpos terrenos e na maioria das vezes são corpos humanos. Só que para o ser celeste não matar seu hospedeiro, ele deve ser puro ou ter uma consciência capaz de suportar o ser.
 - Aqui, todos já estão mortos, se você possuir um deles, o que pode acontecer é a alma deles ser purificada e você voltar para a sua "verdadeira" forma. - diz Grypho.
 - É eu sei, mas eu ainda tenho o costume e de preferência, gostaria de mantê-lo. - diz Baraquiel.
 - Tudo bem, vou rodear pelos círculos à procura e já volto, pode me esperar?
 - Claro, não demore.
 Grypho levanta voou e já some na imensidão. Baraquiel se senta em um troco caído a margem do rio Tigre e volta a contemplar sua relíquia, a moeda de prata.
 Baraquiel já vira várias moedas de prata, já sentira seu peso, mas aquela em especial era única. Por mais que esfregasse, ela continuava fria, seu peso era maior do que uma moeda comum cerca de 21 gramas a mais. As pontas dos louros apontavam para cima, possuíam exatas 13 folhas delas, não eram idênticas, cada uma tinha um detalhe que não era repetido nas demais. Baraquiel ariscará e deduzira que ela representava algo em especial, 13 itens, 13 pessoas, 13 grupos.
 No verso da moeda, a torre não estava até sua base, era apenas os detalhes do topo e a quantidade de janelas que a denunciava. Quatro janelas por parede e no topo, nos telhados, quatro cobras nas pontas que apontavam para o Norte, Leste, Sul e Oeste. Dava para reparar também que os tijolos da torre era levemente escuro, o que dava certeza que era os tijolos de ferro do inferno.
 - Baraquiel, meu senhor. - diz Grypho interrompendo os pensamentos. - Achei uma alma no quinto círculo,Ganância.
 - Certo, guie-me. diz Baraquiel enquanto abre suas abre parar voo.
 Seguindo sua águia, Baraquiel desce até o quinto círculo, atrás da alma e depois de alguns segundos, já a reconhece. Pousa ao lado dela, que não esboça reação apenas caminha diante a sua sentença.
 Baraquiel repousa a mão sobre seu ombro, seu brilho se eleva até um ponto aonde apenas de luz é feito e se junta à alma. Já no interior do a alma, ele vê tudo que passara em vida, vê que a alma abandonará seu nome devido a tristeza de ter perdido sua família e viu também que sua ganância tinha sido ele buscar a felicidade e a paz interior, para isso não mediu esforço, deu de tudo ao pobres, abdicou de bem materiais, tudo para encontrar sua família. Seria uma alma pura, se não fizesse isso com intenções não gananciosas.
 A alma brilha tão intensamente quando Baraquiel brilhará antes de juntar-se a ele, o brilho diminui gradativamente revelando que ela tomará a forma do arcanjo. Como ele se apossara de uma alma humana, Baraquiel não podia voar e nem se materializar em outro lugar, seus poderes vinham de sua forma etérea.
 - Agora preciso voltar para o topo do purgatório e assim, adentrar o inferno. - diz Baraquiel em uma forma humana que possuía até mesmo carne.
 - Por quê não retoma desse ponto, desce e volta o inferno, o caminho não é mais curto? - pergunta Grypho enquanto pousa em seu ombro.
 - De forma alguma, sem contar dos perigos, uma alma humana voltando o inferno, atrairia muita atenção.
 - Bom, então permita-me leva-lo até lá.
 Grypho adorará seu nome pois ele dizia muito sobre si. Ele podia ler mentes por que um grifo podia se comunicar com seres celestes, eles protegiam templos e eram aconselhados por mensageiros, isso também explicava ele estar próximo ao rio Tigre.
 - Você é um Grifo..- diz Baraquiel espantado. - Por que não me disse?
 - Eu não menti, apenas não disse de primeira a minha forma. - diz ele pousando no chão e tomando a forma de um grifo.
 Grypho possuía o tamanho padrão de um grifo, possuía 1,60m de comprimento com sua cauda e 70cm de altura com as asas fechadas. Sua pelagem do dorso era amarronzada e das patas era cor caramelo, e sua plumagem eram branca com algumas penas marrom escuro. Sua cabeça de águia, era do tamanho do meu cotovelo até a ponta dos dedos de minha mão. Já vi varias coisas em minha vida, mas o transformar de uma águia em um grifo, era uma das coisas mais belas que já presenciei.
 Seu dorso tinha duplicado de tamanho dando lugar a patas traseiras, a plumagem caia no chão e cresciam pelos rentes, sua asa passava para suas costas, enquanto seu corpo aumentava de tamanho. A pata que antes era de uma águia, perdia as suas escamas e pelos finos cresciam nela e as garras aumentaram e continuaram afiadas.
 - Vai continuar me fitando ou vai montar? - perguntou Grypho.
 - Desculpe. - diz Baraquiel enquanto monta no grifo.
 - Só não puxe minhas penas, eu posso não gostar.



 " Deixai toda esperança, ó vóis que entrais ". Qualquer um que lia essa frase, sentia como se tivesse um balde de água fria escorrendo por sua costa, o portal do inferno sabia como te fazer perder a esperanças. Após passarmos pelo portão, Grypho voltou a sua forma de águia e voltou para meu ombro.
 Passamos pelo Primeiro Círculo, Segundo Círculo, Terceiro, Quarto, Quinto, com dificuldade pelo Sexto, Sétimos e Oitavo Círculo, levamos cerca de 1 semana humana para atravessar todos eles, mas não levantamos suspeita. Com um nome falso e com um grifo, podemos atravessa-los e foi depois do Décimo Fosso que a moeda de prata começou a esquentar tanto que fui obrigado a abrir a mão.
 - Arrrgghhhh. - urra Baraquiel.
 - O que foi? - pergunta Grypho.
 - A moeda, ela ficou muito quente do nada.
 - Moeda?
 - Sim, algo que me foi dado, - oculta Baraquiel. - Mas curioso, ela tem ligação com a missão.
 - Quem são vocês? - pergunta uma voz.
 Olhando adiante Baraquiel viu um demônio, ele vestia um terno, tinha cabelos castanhos e estava com uma mão no bolso e outra segurando um tipo de rosário.
 - Hum... - "diz" Baraquiel tentando pensar em uma desculpa.
 - Já sei que não são almas normais, ouvi a conversa sobre moeda. Vou perguntar mais uma vez, quem são vocês?? - diz o demônio tomando uma postura ofensiva enquanto fita Baraquiel.
 - Já vi que terei que me mostrar. - diz Baraquiel. - Grypho, só um minuto.
 - Sim, senhor. - diz a águia saindo do ombro e pousando no chão.
 O corpo do hospedeiro em que Baraquiel residia brilha intensamente e ascende e some, deixando apenas o real corpo de Baraquiel.
 - Ahh, um arcanjo no inferno. Isso é interessante, o que buscas?
 - Um demônio em especial.
 - Posso saber quem é?
 - Nem mesmo eu sei, tudo o que sei é que ele é o Sétimo Senhor do Mal.
 - Oras, então já achou. - anuncia o corpo de Baltazar, mas o ser Belzebu.
 - Você? Como se chamas?
 - Baltazar, mas antes eu era Belzebu. Troquei de corpo com meu servo e agora assumo o nome dele.
 - Baraquiel.. - interrompe Grypho.
 - Sim? - diz Baraquiel voltando-se para seu amigo.
 - Se chamas Baraquiel? o Sétimo Arcanjo de Deus? - espanta-se Baltazar.
 - Sim. Só um minuto Baltazar, diga Grypho.
 - O bolso dele..
 O Bolso de Baltazar, aonde a mão dele estava, brilhava intensamente.
 - Está brilhando. - diz Baraquiel.
 - Está mesmo. Brilha como a sua moeda. - diz Baltazar apontando pra moeda de Baraquiel.
 - Então é isso, você é quem procuro.
 - E para o que?




-...Baltazar, Deus tem uma missão para nós, devemos nós tornar apenas um ser!
-..Finalmente algo interessante, conte-me mais sobre essa missão, Baraquiel!

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