Translate

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O Segundo Círculo (Inferno)

 Além de todo o rio Estige, além do rio Aqueronte e até mesmo além de cinco círculos, a cidade de Dites reside fortemente no sexto círculo. Ela serve de divisão entre os crimes cometidos sem intenção, do primeiro ao sexto, e os crime cometidos intencionalmente, do sétimo em diante.
 Mas não sendo apenas um símbolo, Dites também é uma cidadela que abriga diversos demônios, tendo muralhas de ferro que a cercam e são guardadas por anjos caídos. No ponto mais alto da muralha, tem uma torre que  serve como ponto de vigília das três Erínias, Megera, Alecto e Tisífone, que estão enroladas em hidras junto de Medusa.
 Quando Urano foi castrado por seu filho, Cronos, três gotas de sangue caíram sobre sua mãe Gaia nascendo assim as Erínias, que são personificações de vingança. Cada uma delas, representa um tipo de vingança, elas ficam no observatório e julgam aqueles que cometeram os crimes. Megera é responsável pelos crimes cometidos no matrimônio, mais claramente, a infidelidade. Alecto pune crimes morais, como ira, cólera e soberba. E Tisífone pune os crimes de assassinatos cometidos como patricídio, fratricídio, homicídio, entre outros.
 Em Dites também reside o cemitérios dos hereges, onde aqueles que não acreditaram em Deus ou em seu filho, Jesus Cristo, são condenados a túmulos de fogos e em cada túmulo, jaz mais de mil condenados. Em suas muralhas e em suas cidades, Dites possuí um templo onde um demônio de alto calão guarda a divisão dos pecados.
 Dites não é só um local de punição que senhor Lúcifer tem parar açoitar hereges, Dites é também um lar para qualquer demônio a quem necessitar. Dites é uma fortaleza que representa o elo, a proteção e o zelo que o senhor Lúcifer tem pelos demônios.

 - Pode repetir onde eu estou? - pergunta Belzebu ao demônio.
 - Dites, a cidade de Dites. Fica no sexto círculo. - responde.
 - Eu sei onde fica, só não esperava ter chegado tão longe com uma queda.
 - Que foi uma tamanha queda. - diz o demônio de alta classe tentando puxar intimidade.
 - Como disse que se chamava?
 - Orcus. - disse o demônio.
 - Orcus? O senhor de Dites? - diz Belzebu espantado.
 - O próprio. - com pompa retruca Orcus.
 - É uma honra.
 - Sei que é, agora diga caro... - diz pausadamente Orcus enquanto espera Belzebu refrescar sua mente sobre seu nome.
 - ..Belzebu.
 - Isso! Belzebu, nome engraçado. Qual o sentido dele?
 - É o que se tornou a junção de Baal com Zebub.
 - Não pode ser... - gagueja Orcus. - Você é o que um dia foi, dois senhores do mal?
 - Com toda a certeza, não sou apenas em mente, mas em carne e osso. E como sou ambos, possuo a força somada dos dois.
 - Se isso for verdade, peço-lhe que poupe a mim. - implora Orcus.
 - Depende, há algo que possa me dar em troca? - não que Belzebu esperasse, mas sempre é bom "garantir", ali ele vê uma oportunidade de crescer, seria idiota se a perdesse.
 - Pode ficar com Dites, tornar-se senhor dela. Abdico de meu cargo.
 - Sabes muito bem que o senhor de Dites não pode abdicar de seu posto, o que pode acontecer é ele ser assassinado e seu assassino, tomar-lhe o posto. Mas por que esse súbito medo? - instiga Belzebu.
 - Como bem sabes, sou um nobre, em escala hierárquica aqui no inferno, nobres estão abaixo de senhores do mal, ainda mais o senhor que agora não é apenas um, mas dois  - ajoelha Orcus. - Eu estou de joelhos senhor, peço, por favor, que me poupe de um destino cruel.
 - Pensarei nisso mais tarde, por enquanto, mostre-me Dites. Se eu gostar dela, eu tomo-lhe o posto. Mas se eu gostar tanto de você, como acho que vou gostar da cidade, poupo a sua vida. - barganha o astuto.
 - Obrigado senhor, venha, vou lhe mostrar cada pedaço dessa cidade, com o perdão do trocadilho, infernal. - diz Orcus animado e ansioso.

 De longe, quem via, dizia que a cidade vivia na escuridão causada pela falta de sol, mas de perto, via-se que tudo na cidade, era feito de matéria que só se encontra no inferno, matéria negra. Os tijolos da muralha, não eram feitos de barros ou de mármore, em vez disso, cada bloco era ferro negro puro, não aquele ferro bruto, mas lapidado, mas tão bem polido que ele parecia uma pérola negra e retangular. Uns se encaixavam no outro, não era preciso uma substância que fizesse um aderir no outro para ficarem firmes, eles faziam isso naturalmente.
 No topo das muralhas, havia os guardiões, que permitiam ou não a entrada de outros na cidade e além dos outros círculos. Esses guardiões eram anjos caídos, anjos com asas negras e espadas com lâminas avermelhadas que contém o poder de matar tanto demônios, como anjos. Eles são os anjos que se rebelaram contra Deus e seguiram Lúcifer na marcha contra o Criador e banido com o Querubim. Dites é um ninho de demônio, nela habita desde o mais reles e fraco, ao mais nobre e senhor do mal.
 Além das suas muralhas, indo em direção ao sétimo círculo, para chegar até ele, é necessário descer um precipício que leva aos três vales. Tudo isso forma o sexto círculo, A Cidade de Dites.

 - Dites é maravilhosa. - diz Belzebu.
 - É claro que sim, essas muralhas são magnificas, são simplesmente uma obra maravilhosa.
 Orcus era senhor de Dites por mais de mil anos, sabia cada detalhe em especial dela, sabia inclusive como cada parte daquilo fora criada.
 - Aquela proposta, Orcus, ainda está de pé? - pergunta Belzebu.
 - Claro que sim, senhor. O trono de Dites, pela minha vida. - diz Orcus.
 - Eu acho que vou aceitar, só que e aquilo que falei mais cedo sobre gostar de você.. - Belzebu para repentinamente de falar e olha pra um dos anjos no muro. -..Pois é, eu não gostei.
 Orcus era um demônio de uma classe elevada, era um nobre, não um senhor como fora Baal e Zebub, uma hierarquia menor. Era do tipo muçulmano que nascerá nas areias, mas como era um demônio, aquilo era apenas sua forma. Um tipo gorducho mas que se vê que tem condicionamento físico, tinha vestimentas árabes, sua íris do olho era roxa e sua língua esverdeada. Mesmo sendo inferior, Orcus tinha seu orgulho, não era a toa que governara por mil anos, e mesmo assim abdicou desse orgulho, por sua vida.
 - Senhor, não faça isso, lhe rogo. - ajoelha Orcus novamente.
 - Não faça isso Orcus, morra com dignidade ao menos.
 - Eu não quero perecer..
 - Orcus, você foi o primeiro que me viu, que viu a minha forma atual. Você testemunhou a criação de um ser maior, se você viver, não haverá mais glória nisso.
 - Senhor, apenas quero continuar vivo. - suplica Orcus.
 Belzebu toma fôlego e volta a caminhar com Orcus, pergunta sobre outro círculos, sobre os rios infernais e sobre o dever de um senhor de Dites.
 - No geral, senhor, o cargo tem a função de resguardar a cidadela, de administrar a passagem do quinto ao sétimo círculo e por fim, como posso explicar, tomar conta do lar dos demônios. - explica Orcus.
 - É muito interessante esse cargo, Orcus. - elogia Belzebu. - Como conseguiu ficar mil anos nisso?
 - Apenas fui eficiente, direto, evitei incomodar "superiores" e fui linha grossa.
 - "Superior"?
 - É o chefão.
 - Você responde à alguém? - pergunta Belzebu.
 - Não exatamente, mas sim.
 - Explique, Orcus!
 - Você tem espaço e liberdade pra comandar Dites como quiser. Mas se algum problema "passa" por você, eles não perdoam. Foi assim que assumi, meu antecessor mancou e ele acabou deixando alguém passar do quinto, pro sétimo sem autorização ou sem necessidade como no caso de cumprir a punição de seu crime.
 - Entendo, bom Orcus... - para Belzebu repentinamente e vira pra ele - Acho que é isso.
 Antes de parar, os dois haviam chegado no portão de Dides. Ele era de ouro maciço, tinha inscrições babilônicas e ilustrações sobre Lúcifer ter sido banido e estar caindo do céu. O portão tinha ao todo 12 metros e apenas um anjo caído pra abrir e fechar o portão.
 Belzebu vira pra Orcus e finge ter interesse na história do portão perguntando, "Por quê a imagem de Lúcifer caindo?", e enquanto o nobre demônio dava as costas pra ele, enquanto se aproximava do portão, Belzebu usa a magia antiga de Baal, o Toque da morte.
 - É dita como uma das mais importante passagem da história demô.. - antes de pudesse terminar, a mão de Belzebu toca-o e despeja sua magia em seu interior. - ..O que foi isso?
 - Como eu disse, eu não gostei de você. - diz Belzebu enquanto dá as costas pra o demônio e caminha em direção a cidade. - Espero que você não sofra muito.
 - Belzebu!! - grita Orcus.
 - Sim? - Belzebu se vira pra ele. - O que foi?
 - Reinado longo e duradouro à você, amigo. - ao dizer tais palavras, o corpo de Orcus apodrece e se torna pó.
 - À chega do milênio de Belzebu! - diz Belzebu em voz alta. - AO MEU REINADO,...


                                                                   ..À ERA DE BELZEBU!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário