Translate

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O Sexto Círculo ( Celeste )

 - Vou explicar de novo Baltazar, por favor que seja a última. - diz Baraquiel de pé, explicando pela quarta vez a missão designada. - Deus ordenou que 7 arcanjos, achassem seu respectivos demônios, tornassem um só através de uma unificação de corpos, voltasse ao purgatório e fosse para o mundo dos homens.
 - Que respectivos demônios? - pergunta Baltazar.
 - Leviatã, Asmodeus, Belphegor, Mammon, Sammael, Belial e você.
 - E por quê?
 - Para ser criado um ser que supera a rinha de céu e inferno, pra se tornar um ser, acima de qualquer lado, apenas de uma, o lado da justiça. Diga-me Baltazar, o que acha justo? - pergunta Baraquiel.
 - Um arcanjo tentando convencer um senhor do mal, essa é ótima! - ri Baltazar.
 - Realmente, mas eu tenho uma missão, eu preciso cumpri-la, se você recusar, outro será chamado. Entenda, essa é uma oportunidade de estar em algo fora de, ou " anjo " ou " demônio ".
 - Sim, na verdade, é uma motivação, uma razão. Eu sempre desejei estar em algo que tivesse sentido e não uma guerra sem sentido. - diz Baltazar enquanto senta em um tronco.
 Pra nenhum arcanjo, o inferno faz bem, alias, pra nenhum ser vivo. Após apresentação, Grypho voltou a sua verdadeira forma e levou eles para o rio Tigre. Baltazar por morar no inferno, sabia caminhos que voltavam para círculos anteriores, assim, puderam voltar a um lugar nulo de influencias.
 - Essa é uma dessas oportunidades, Baltazar. - insiste Baraquiel
 - Mas não sou um demônio fácil de convencer. Por exemplo, ainda tenho dúvidas que não me foram esclarecidas.
 - Tais quais? - pergunta Baraquiel.
 - O que eu vou ganhar com isso? Se minha existência ainda vai viver dentro do "ser". Se isso vai dar certo mesmo.
 - O que você tem a perder?
 - Eu sou um dos senhor do inferno, isso pode ser uma armadilha pra abrir a defesa do inferno.
 - Primeiro, se for isso mesmo, vai abri a defesa do céu também. Segundo, você se importa mesmo, com isso que acabou de falar?
 - Isso é verdade.. - resmunga Baltazar.
 - E mais, você melhor do que ninguém sabe, que a junção de dois seres, unifica a mente.
 - Eu? Por quê eu saberia disso? - pergunta Baltazar.
 - Porque antes de Baltazar, você era Belzebu e antes disso, era Baal e Zebub.
 Por alguns minutos Baltazar fica em silêncio, apenas encara o arcanjo. Ele se levanta, se dirige ao rio Tigre, se ajoelha e reflete por alguns minutos.
 - Acha que ele vai aceitar? - pergunta Grypho.
 - Não sei, mas eu preciso tentar de tudo. - responde Baraquiel.
 - Se isso for verdade, por que deveríamos obedecer Deus. - pergunta Baltazar sem se virar para o arcanjo.
 - Prefere servir Lúcifer? Não importa, na verdade, qualquer divindade seria a mesma coisa. O que vai acontecer, é que não irá parar em nós.
 - Como assim?
 - Seriamos uma organização, mas será que seriamos só nós? Será que os próprios demônios não formariam uma? - diz Baraquiel se aproximando lentamente.
 - Então por quê devo me juntar a vocês? - diz Baltazar se levantando. - Eu posso contar agora para Belial ou Lúcifer de seus planos e criaremos uma força maior!
 - Isso se Belial já não tiver aceitado.
 - Maldito! - vocifera Baltazar que estava ficando sem argumentos.
 Baraquiel saca sua Mougai, aponta para Baltazar, seus dentes serram, ele se segura para não decapitar a escória.
 Desde as primeiras eras, demônios e anjos já eram inimigos, já existe um rancor entre as duas especies e superar isso, não seria fácil.
 - Acha que não penso o mesmo? Acha que não preferiria te decapitar e levar sua maldita cabeça até meu bom senhor?
 - Então por quê não o faz? - provoca Baltazar aproximando seu pescoço da ponta da espada. - Faça isso, "emplumado", arranque minha cabeça. Eu o desafio!
 - Suas palavras desaparecerão ao vento, eu não vou cair nas suas provocações! Você tem duas escolhas, ou aceita ou perece nesse solo!
 - E por quê achas que sou eu quem vou tombar? Já matei muitos anjos, você seria apenas mais um.
 - Acontece que um arcanjo, eu tenho certeza que você não matou, essa é a diferença, é por isso que você vai perecer!
 - Você é bom com argumentos. É uma diversão e um perigo, discutir com você. - diz Baltazar saindo do alcance da espada e rindo. - Eu tenho um tempo para pensar?
 - Não. A resposta tem que ser imediata! - diz Baraquiel embainhando a Mougai.
 - Você seu senhor que disse isso?
 - Não, fui eu!
 - Hahahahahahahahahahahaha, adorei você! Acho que se nós nos fundirmos, nós enlouqueceremos! Sabe que duas entidades sem um pingo de "Ressonância" tendem a enlouquecer quando fundidas, não é mesmo?
 - Ressonância?
 - Toda entidade, alma, ser, coisa viva, ou qualquer porcaria que possua vida, emite uma certa onda energética, quando duas "coisas" vivas de diferentes ondas energéticas passam a conviver uma com a outra, suas ondas começam a se moldar com a outra. Criando assim uma Ressonância, uma emissão energética similar entre duas ou mais "coisas" vivas. - explica Baltazar.
 - Entendo, o que pelo jeito, leva tempo pra se obter essa Ressonância.
 - Vária das "coisas", por exemplo, tem seres que naturalmente, já tem um dom de se ajustar a outras ondas. Tem também o tipo de ser que imita a onda de outro ser, se tornando um perfeito imitador. Tão perfeito que ele é capaz de se tornar o ser, esse tipo é conhecido na minha terra como, fraudulentos.
 - Eu não possuo nenhuma das habilidades.
 - Nem eu. Ou seja, capaz de enlouquecermos. Ainda quer fazer isso?
 - Sim!
 - Sabe que vamos enlouquecer, não sabe?
 - Agora sei.
 - Ainda assim quer fazer essa loucura? Em nome de que?
 - Quero ser mais do que só estou sendo, pra defender o que acho certo, para poder me proteger e de ter algum sentido na vida, eu preciso de poder. Se nós nos fundirmos, além de ter um significado, não gostaria de ser mais forte, Baltazar?
 - Já sou o suficiente.
 - Duvido.. - aproveitando a frase, Baraquiel deu um cruzado de direita no rosto de Baltazar, fazendo ele cair do outro lado da margem o rio, cerca de 20 metros. - Não pode nem desviar de um soco Baltazar, não foi forte nem pra suportar isso.
 - Agora você está forçando a barra, Baraquiel!
 - Eu vou perguntar uma ultima vez, Baltazar. Você aceita ou não?
 - Isso vai ser muito interessante, mas...

                                                                                        ...sim Baraquiel, eu aceito!

Nenhum comentário:

Postar um comentário