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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O Primeiro Círculo (Inferno)

 Mais sangue é cuspido devido ao que as moscas fizeram internamente, aquilo não o matará mas ele não poderá se movimentar normalmente.
 - Agora que me movi, os magos vão demorar para chegar, preciso enrolar Zebub até eles chegarem. - pensa Baal.
 Baal volta seus olhos para a cidade a Oeste se lembrando de como entra no inferno e tem uma ideia de como derrotar Zebub.

 - Onde eles estão? - pergunta um dos magos de Baal.
 - Eu não entendo, eles deviam estar aqui! Sempre ao meio dia se enfrentam aqui. - diz o outro.
 - Olhem! - aponta o terceiro mago ao horizonte ao Oeste. - Vejam tem uma nuvem de insetos, deve ser Zebub!
 - Temos que continuar a Oeste! - diz o segundo mago.
 - Mas são 10 milhas até a outra cidade. Tenho certeza que mestre atrairá o insolente até o portão. - diz o primeiro mago.
 - Então para lá nós marcharemos!
 - Para que? Podemos usar um Marco de Senda. - diz um quarto mago. - Tem um próximo daqui.
 - Então vamos, chegamos lá antes e ainda podemos derrotar Zebub!
 Marco de senda uma pedra rúnica que ficavam em pontos específicos que apenas magos da Antiguidade sabiam, elas podiam ser usadas como pontes para outros lugares, elas abrem uma passagem que dá acesso a outra Marco de Senda. Havia uma no deserto próxima a Jerusalém e outra dentro da cidade que fica ao lado ao portão do inferno.

 Baal caminhava em direção à cidade, tentando chegar nela antes que Zebub pudesse alcança-lo. Ele nunca tivera antes reparado como ali era um diferente de onde batalhavam.
 Haviam partes com gramas secas e as areias eras poucas, o solo era rochoso e a terra era amarelada. Ali tinha nuvens que faziam sombra e não era tão quente quando o ponto de lutas deles.
 - Maldita mosca que fica me seguindo! - diz Baal depois de tentar espantar uma mosca pela 10ª vez.
 Depois de mais alguns passos, Baal olha para trás e consegue ver a nuvem de mosca de Zebub, percebe também que falta umas 2 milhas pra chegar na cidade. Se fosse em outro momento Baal simplesmente carregaria um raio e miraria no chão, fazendo ele voar novamente ou teleportaria até lá.
 - Não vou chegar a tempo, o melhor que faço é empurrar essa luta por duas milhas. Se meus magos são espertos, já devem ter achado aquele Marco de Senda. - pensa Baal.
 Baal senta no chão e tenta se concentrar, mas aquela mosca que antes o rodeava, continua a incomoda-lo.
 - Porcaria de mosca! - diz Baal enquanto aponta o cetro pra ela e a eletrocuta com um raio
 Antes da mosca cair morta no chão, uma mão sai das rochas e pega a cara de Baal. Saindo por completo do chão, Zebub, enquanto segura a cara se Baal, se levanta, o ergue no chão e desce a cabeça de dele até o chão, na intenção de esmaga-la.
 - Não! - grita Baal e um raio cai dos céus.
 Ambos caem no chão, Baal é imune a raios então se leva e aponta o cetro para Zebub.
 - Faltou pouco Zebub meu caro, mas eu disse que hoje você que pereceria! - se gaba Baal.
 - Só por um raio? - diz Zebub antes de se desfazer em mosca.
 As mosca começam a rodar em volta de Baal, rodar tão rápido que os raios que ele manda, acerta uma mosca no máximo.
 - Desgraçado, me encare feito um senhor do mal! - vocifera Baal.
 Moscas tomam forma de uma mão que soca a cara de Baal, tirando-o do chão e o deixando mais nervoso. Baal se acalma, se levanta e começa a correr para o Oeste na esperança que as moscas o sigam, mas elas não fazem nada, apenas continuam o voo desordenado delas.
 - Desgraçado, ele percebeu algo. - pensou Baal.
 - Por quê Oeste Baal? - pergunta as moscas - O que quer fazer lá?
 - Por quê achas que o fato de eu estar correndo pro Oeste, significa que eu estou tramando algo?
 - Porque você nunca corre. - ao dizer isso, as moscas se espalham e voam separadamente.
 - Droga, preciso dar um jeito. - pensa Baal.
 Levantando o cetro, Baal desaparece como uma miragem. As moscas voltam a voar juntas e se reagrupam tomando a forma de Zebub.
 - Acho que você resolveu co.. - antes que terminasse, Zebub é arremessado para frente, por um dos raios de Baal.
 - Você nem é tão espero assim, Zebub. - diz Baal
 Zebub voa longe e não consegue usar magia alguma por causa do raio que ainda passa pelo seu corpo. Estando paralisado por da eletricidade, Zebub aterrissa até a entrada de Jerusalém.
 - Maldito Baal! - diz Zebub entre os dentes. - Você não vai me derrotar!
 Antes que pudesse dar um passo, uma corrente etérea prende a perna de Zebub e começa a drenar sua força. E ao mesmo tempo, Baal aparece na frente de Zebub rindo e diz:
 - Você devia ter ouvido seu instinto!
 - Maldito! Isso é trapaça! - grita Zebub enquanto apontava para os magos de Baal.
 - Eu não me importo, só estou cansado desse embate e não quero perder!
 - Senhor, está tudo pronto! - diz um dos magos de Baal.
 - Pronto pra que? - pergunta Zebub.
 - Para eu sugar os seus poderes!
 Baal segura seu cetro com as duas mãos, entoa um mantra que começa a energizar seu bastão e então, o quebra no meio. Zebub tenta se livrar da corrente, mas cada vez que se move mais enquanto uma corrente drena sua força, outra aparece para segurar outro membro seu.
 - Baal pare, não faça isso - pede Zebub.
 - E por que não? - diz uma voz irreconhecível que vem da boca de Baal. - Seremos mais fortes, seremos apenas um!
 - EU ME RECUSO!!!
 Uma explosão acontece no meio dos dois, criando uma cratera que antes já estava lá escondida pela areia fina.
 - Senhor Baal.. - diz um dos magos.
 Baal ignora a cratera e avança sobre Zebub com a boa aberta, mas antes que pudesse se ter definido o sucesso da artimanha de Baal, ambos são sugados pela por ela.


 Dentro do inferno, existem Nove Círculos que separam cada punição e lar de demônio. Baal e Zebub caem justo no Sexto círculo, onde reside a cidade de Dites. Lar de Anjos negros, Demônios e pecadores que cometeram heresia.
 - Ei, você! Levanta, está em cima de meu amigo! - diz um demônio baixo.
 No exato momento que o demônio diz tais palavras, sua carne pega fogo e a terra o engole por completo. Não fora nem Baal e nem Zebub que matará o demônios, o assassino sai de uma parte escura de uma das casas próxima a eles.
 - Você está bem?- pergunta um demônio de alta classe, com mantos e cabelos loiros. - Você caiu de uma altura incrível, é impressionante estar vivo. Qual o seu nome?
 - Nós nos chamar Baal e Zebub. - diz uma única voz.
 Após olhar pra si mesmo e conferir que era mesmo uma pessoa e não duas, o ser que era não um e nem outro, mas ambos. Põem a mão no rosto e se corrige.
 - Não.. nós somos..

                                                               ...Beth-Zebul, mas pode chamar de Belzebu.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Quando as Loucura Surgem

 - Você nunca se atrasa, não é Baal? - pergunta Zebub.
 - Para outros compromissos, talvez. Mas para esse, nunca! - diz Baal.
 Zebub e Baal eram inimigos desde o começo dos tempos, uns diziam que desde quando esse mundo é mundo os dois se confrontam. Havia tanto tempo que até mesmo o significado dessa luta não tinha mais razão, apenas brandiam suas armas e colidiam seus punhos por instinto.
 - Tá quando o placar? - pergunta Baal.
 - 8.912.723 lutas. 8.912.723 empates. - diz Zebub.
 - Tá tudo isso mesmo?
 - Por que eu mentiria?
 - Hahahahaha, é verdade. - diz Baal.
 Todos os dias, ambos senhores do mal, se encontravam ao meio dia em uma planície rodeadas por paredões rochosos. Antes de Baal senhor da morte, trovões e crueldade e Zebub senhor da pestilências e das moscas começarem a se confrontar, aquele lugar era uma linda pradaria com gramado verde e rente ao solo, hoje, apenas um deserto.
 - Vamos ter algumas regras hoje? Ou apenas o de sempre? - pergunta Baal.
 - Sem regras!
 Esticando sua mão, Zebub condensa o ar em volta e o torna negro de tantas moscas que foram criadas, em seguida a levanta acima de sua cabeça e por algum tipo de ordem, libera o exame. Sem ficar para trás, Baal junta as palmas das mãos e quando as separa, um cetro aparece.
 O cetro que Baal criara, era parecido com os cetros dos Tronos, coro angelical. Ele era dourado e na ponta possuía duas asas nas laterais que tinham a ponta virada pra cima, ao lado deles tinha uma lua crescente deitada.
 Apontando o Cetro para o exame, Baal apenas sorriu após um pequeno raio sai de seu bastão. Em seguida ele balançou o cetro em volta de si, fazendo pedaços de pedras levitarem e girarem em torno dele.
 - Ora vamos Baal, vai ficar na defensiva? - pergunta Zebub
 As pedras avançam em direção a Zebub que desvia de algumas e outras quebra no soco. Ele fica por um tempo encarando Baal e pensando em uma estratégia que já não tenha usado.
 - Hoje Baal, um de nós vai perder!
 - Por que diz isso? - pergunta Baal.
 - Pressentimento!

 Alguns metros daquele lugar, um grupo de magos avança sobre ordem de Baal para que o auxiliassem em derrotar Zebub. Era um total de 9 magos da Antiguidade que portavam cajado cinzas e vestimentas azuis com detalhes no ombro em vermelho, eles possuíam a mesma altura e tinha o rosto coberto por um capuz branco.
 - Quanto tempo temos até chegar? - pergunta um dos magos.
 - Dentro do horários combinado, 20 minutos! - anuncia o outro depois de olhar para o sol.

 Um chão se rompe em pedaços com um soco dado por Zebub.
 - Para de correr, fica difícil te acertar enquanto você pula ou some. - diz Zebub irritado
 - Se não consegue me acertar, então não pode me vencer. - diz Baal aparecendo atras de Zebub. - Você devia desistir.
 - Não!
 Zebub abre a boca e traz para fora um exame de moscas, um exame gigante de milhares delas criando uma densa nuvem bloqueando parte da visão de Baal. Nisso Zebub arranca um rochedo do chão e o usa como um bastão e bate em Baal.
 - Você não pode fugir da morte Baal, nem mesmo você pode. - diz Zebub enquanto Baal atinge uma das parede de rocha fazendo toda base estremecer e quebrar o as rochas.
 Um feixe de fogo sai da ponta do cetro de Baal e acerta em cheio Zebub e seu enxame, em seguida Baal levanta mão pra cima, antes que fosse esmagado por um rochedo que estava caindo sobre ele e dispara raios nelas . Mesmo tendo o poder dos raios consigo, Baal não consegue dar conta de todas e é enterrado por elas enquanto Zebub se livra das chamas do cetro de seu inimigo.
 - Malditas chamas, maldito mago! - vocifera Zebub. - Eu devia devorar suas entranhas e me banhar com seu sangue, mas por fim tudo acabou!
 - Quem disse? - ouve se uma voz do amontoado de rochas. - Comemore depois Zebub..
 Um raio cai dos céus destrói a maioria das rochas, apenas para dar espaço para Baal pode se levantar novamente.
 -..Porque agora, a morte bate na sua porta! - diz Baal.
 - Vejo que preciso de mais pra mata-lo! - diz Zebub.
 - Muito mais!
 - Que assim seja! - termina a frase e Zebub se lança diante a Baal.
 - Pode tentar Zebub, mas hoje você sucumbe.
 Zebub investe contra Baal com o punho direito levantado, pronto para socar Baal, e de repente, Zebub vira um exame de moscas e se espalha no ar.
 - Acha que assim pode fazer algo? Eu já matei bilhões de moscas suas Zeb..- antes que pudesse terminar, varias moscas entram na boca de Baal. - ..Arrrghhh.
 Zebub era conhecido por suas moscas que não acabam mais, só que não havia antes relato ou conhecimento sobre sua outra habilidade, não havia por que as vitimas sempre morriam. As mosca que já tinham entrado em Baal, tinham o toque da pestilência, estava transmitindo varias doença demoníacas.
 - Seu desgraçado!!! - grita Baal
 Enquanto isso, outras moscas que pairavam no ar, tomam o formado de um rosto que encara e gargalha do fato de ver Baal se contorcer.
 - Hahahahahaha, não devias tu me subestimar, Baal. Não é a toa que não há sobreviventes para contar a história depois de presenciar o poder da minha pestilência. - diz Zebub enquanto Baal hurra de dor. - Prove da mais infinitas doenças e contágios que levariam qualquer demônio a morte!
 Baal enquanto vomitava sangue, aponta o cetro pro chão e dispara um raio concentrado, fazendo ele ser jogado longe, por cima dos paredões de rochas por causa do coice.
 - Ahhh não corra Baal, volte! - diz o rosto enquanto se dissipa e segue em direção.
 Baal chega a voar 5 milhas por causa do coice, quando aterrissa nas areias do deserto, mais sangue é jorrado de sua boca e algumas moscas saem devido ao baque. Levando o cetro ao encontro de seu peito, Baal usar outro poder seu.
 - Morram moscas desgraçadas! - sussurra Baal com dificuldade.
 Uma luz verde passa por todo seu corpo e fazendo assim, Baal parar de agonizar. Ele se levanta e olha em volta e vê ao Oeste no horizonte, uma cidade que no seu lar é conhecido como o portão do inferno, já para os humanos, é conhecida como..
                                                                                  ...Jerusalém

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fim de um tempo. Lembranças de Outro.

Oi pessoal, to aqui pra falar que os contos " Quando os Lobos Uivam, Quando as Sereias Nadam e Quando o Vento Sopra ", faziam parte de um tempo decorrido da história dos 7. Agora vamos dar um pausa na história sobre os Avatares, os Comandantes, e vamos voltar muito no tempo e ver a história desses Gaijous que habitam nossos corpos e nos dão poderes.

Em seguida vem a História de Baltazar, Raijin e Lilith, Gaijous do 3º, da 4ª e da 6ª




                                                                                                                   ....Aproveitem
                                                                                                                                           A.I.

A Sexta Brisa

 - Segunda? - pergunto a garota que acaba de descer.
 - Sim? - responde ela
 - Somos o Primeiro e o Quinto, por favor, nos acompanhe. - completa Vincent.


 Alguns quarteirões pra cima da rodoviária, resolvo quebrar o silêncio.
 - Então, como se chama?
 - Amy. - diz ela inseguramente.
 - Eu sou o Leo e esse do seu lado, é Vincent.
 - Prazer.
 - O prazer é meu. - diz Vincent.
 - Vocês são dos Asaras?
 - Sim somos.
 - E quem vocês são?
 - Como eu disse, eu sou o Quinto Comandante.
 - E eu o Primeiro.
 - Entendo. E o que é esse clã?
 - Antes de tudo, você pode provar que é do clã? - diz Vincent.
 Mesmo que fosse um pouco grosseiro, Vincent estava certo. Todo cuidado era pouco, ainda mais se tratando de alguém que será uma de nós. E então a pergunta de Vincent é respondida quando Amy conjura uma esfera de água e nela tem uma sereia nadando.
 - Isso responde? - questiona Amy
 - Na verdade, parte apenas. - agora eu que estou sendo grosseiro
 - Pra mim, responde. - diz Vincent.
 - O que mais preciso fazer pra provar?
 - Veja bem. A mais de seis meses atrás, tentaram me assassinar, a pessoa que tentou era alguém que eu conhecida desde que tinha seis anos.
 - É só dizer que eu faço. - ela queria mesmo estar entre nós.
 - Por que essa vontade tão grande de entrar provar ser uma de nós? - pergunto a Amy.
 - Eu acho que sei por que Leo. Pelo que vejo de você Amy. - diz Vincent olhando nos olhos dela. - Você é do tipo que não fica muito tempo longe de casa.
 - Sim, é verdade.
 - Você até agora não disse nada sobre horários ou locais que você tem que cumprir. Então acho que você "fugiu" de casa.
 - Sim.. - espanta-se Amy.
 - Então, em termos.. esse é a sua única esperança.
 - Como? - pergunta Amy espantada
 - Dedução.
 - Então.. - interrompo ambos. - Eu preciso que você traga seu Gaijou a tona.
 - Como assim?
 - Eu quero falar com ela, se você for a segunda mesmo, será a avatar da Sorento. Então se eu puder falar com ela, tudo ficará tranquilo.
 - Agora? Aqui?
 - Não, quando chegarmos na minha casa.
 - Vocês não vão fazer nada comigo, não é? - diz Amy quase se encolhendo.
 - Confie em mim. - diz Vincent acalmando ela.
 - Tudo bem.
 Andamos mais cinco minutos e chegamos na frente da casa que estou morando, na frente está sentado o Jimmy com uma garota.
 - É ela? - pergunta Vincent.
 - Sim! Pessoal, essa é a Sarah. - diz Jimmy.
 - Oi. - ao contrario de Amy, Sarah é extrovertida.
 - Se importa de entrarmos? - pergunto enquanto abro o portão.
 Já dentro da casa, eu tento arrumar algumas bagunças de "garotos".
 - Não precisa. Estou acostumada já, eu mesmo sou bagunceira. - diz Amy, ao mesmo tempo vejo os olhos de Vincent brilharem por ela.
 - Acho falta de educação.
 - Seria estranho se não fosse assim. - diz Sarah
 - Leo, temos coisas mais importantes. - lembra Jimmy.
 - Bem lembrado. Primeiramente, preciso falar com o seu Gaijou, Amy.
 - Gaijou? - pergunta Sarah.
 - Enquanto isso. - diz Vincent. - Por que não conta pra ela o básico? Assim você pega jeito de explicar.
 - É uma boa.
 - Certo. - Jimmy puxa Sarah pra cozinha pra poder explicar sem nos atrapalhar.
 - Quando você tiver pronta Amy.
 - Como devo fazer? - pergunta Amy.
 - Tente chama-la, em seguida conte o que acontece e peça pra ela incorporar pra podermos conversar.
 - Cert.. - sem ao menos terminar, dos olhos de Amy saem água e caem no chão, formando uma poça, um espelho d'água.
 - Querem falar comigo? - diz a sereia no reflexo da poça.


 Após explicar sobre o clã pra Amy e comprovar que ela de fato é a segunda, nós voltamos nossa atenção a Sarah.
 - Então Jimmy, explicou pra ela? - pergunta Vincent.
 - Eu estou perplexa. - diz Sarah sem deixar Jimmy falar. - É real tudo isso?
 Vincent estende a mão aberta pra Sarah, como se pedisse a mão dela, mas em vez disso, gelo começa a se formar na palma. Ele toma um formato fino e cilíndrico, com o tempo se torna um bastão.
 - Isso é resposta? - provoca Vincent. - Se seus olhos não conseguem discernir se é real ou não, então talvez você não seja uma de nós.
 - Eu também tenho algo pra mostrar.
 Sarah estica o dedo indicador e toca no bastão de gelo criado por Vincent, de repente, o bastão quebra e vários raios saem dele e da ponta do dedo de Sarah.
 - Isso é impressionante, te ensinaram isso? - pergunto à ela.
 - Eu mesma pratiquei. - nisso Jimmy olha pra nós e sua expressão diz " eu falei ".
 - Bom. - começa Vincent. - Acho que como primeiro afazer de nova comandante, creio que a Amy deva descobrir se ela é, e coloca-la em um esquadrão.
 - Eu? - diz Amy. - Mas eu nem sei se tenho tudo isso.
 - Mantenha a calma. - diz Vincent puxando Amy pra perto deles. - Toque nela.
 - Como assim? - pergunta Amy.
 - Só a toque, você saberá.
 Amy aproxima a mão e toca o ombro esquerdo de Sarah, em milésimos ela vê a alma da avatar e do Gaijou, ela também vê a história deles, reconhecendo assim a Sarah como uma de nós.
 - Ela é uma de nós, possui Gaijou e esquadrão. - diz Amy.
 - E onde é? - pergunta Jimmy.
 - Não sei se vai parecer estranho, mas no meu esquadrão. - diz enquanto encara Sarah.
 - Isso. - diz Vincent. - Você é boa!
 - Bem-vinda Sarah, o resto, com o tempo você aprende. - digo pra ela a confortando. - Que tal irmos comer algo na Lanchonete ali da frente? Eu pago!
 - Leo. - Vincent chama a minha atenção de canto. - Estamos no meio da semana, tem certeza que você tem grana? Se tem, não é melhor pagar as suas contar primeiro?
 - Relaxa, meu pai já deve ter depositado
 - Leo, eu tenho grana qualquer coisa. - diz Vincent.
 - Se precisar! Agora vamos.
 Levanto e pego uma blusa, não que esteja tão frio mas é que da um ar de estilo também. Chegando na lanchonete, sentamos tranquilamente, pedimos nossos lanches, bebidas e jogamos conversa fora. Perguntamos da vida de Amy, de como ela tinha chegado e nos emocionamos pra caramba, afinal, não é qualquer um que perde a tia, mata o marido da tia, abandona tudo e foge pelo clã.
 A vida da Sarah também não foi fácil, nunca chegou a conhecer o pai e vive com a mãe e a irmã mais nova, vivem com o salário da mãe que trabalha 19 horas em uma fábrica de tecelagem. Mas o que eu pude reparar, é que são essas cicatrizes em nossos corações que nos une. Eu perdi minha irmã, praticamente minha mãe, meu ex melhor amigo. Jimmy tem o pai que enche a cara e a mãe que é literalmente, uma puta, mas isso não o atrapalha de cuidar de seus dois irmãos mais novos. Agora a dor de Vincent que eu não sei, nunca o vi falar de sua vida pessoal.
 - Todos nós temos nossas dores. - diz Vincent repentinamente enquanto põem a mão no olho direito. - Esperamos que elas passem um dia..
 - Tá tudo bem Primeiro? - pergunta Amy docilmente.
 - Que gentil. Por favor Amy, me chama de Vincent.
 - Tudo bem. Tá tudo bem Vincent?
 - Sim, só memórias amarguradas..
 - Quer divir com a gente? - pergunta Sarah.
 - Eu nunca soube da sua "dor", Vincent.
 - Você sabe que sou bastante fechado, Leo. - diz ele me evitando. - É algo que eu gosto de remoer sozinho.
 - Remoer não é bom. - diz Jimmy
 - Vocês estão parecendo a A.A., Asaras Anônimos. Gente é algo normal, me fez o que eu sou hoje e não estou mal, com o tempo é capaz que eu conte. - diz Vincent se fechando novamente.
 - Fala pra gente. - diz Amy enquanto sem querer, faz uma cara de "cachorrinha sem dono". - Nós vamos te ouvir.
 - Olha... - começa Vincent. - ..Eu não fico bem com isso.
 - Confie na gente. - insiste Amy.
 - Eu não tenho pai. O meu morreu por causa de bebida alcoólica, mas não antes de me marcar.
 - Como assim? - pergunto a ele.
 - Nunca fui o orgulho dele, sou o terceiro filho sendo que sou o caçula. Todos os anteriores foram planejados e mantido "sobre controle", enquanto eu.. ..fui um acidente.
 - O que você quis dizer com ele te marcar? - pergunta Sarah
 Essa cena, foi uma das mais bizarras que já vi em minha vida. Eu nunca vou esquecer a cara, o clima que ficou no lugar, quando Vincent pegou e limpou em volta do olho direito. Tinha uma linha na diagonal que pegava no seu olho e mais duas que eram paralelas mas para baixo.
 - Ele gostava de acampar e não gostava de mim, juntou o útil com o necessário. Bem mais ao norte neva no inverno, tem uma floresta pra lá que ele costumava a ir.
 - Deixa eu adivinhar. - disse Jimmy e antes que terminasse fora interrompido.
 - Você não vai adivinhar nada! - disse Sarah. - Vamos deixar ele terminar.
 - Ele o abandonou não? - Perguntou Amy.
 - Pior! Ele me abandonou com isca para atrair animais.
 - Vincent. - eu estava em choque. - O seu olho direito..
 - Não! Desde que eu tinha Seis anos, eu perdi a visão dele. Simplesmente não vejo mais.
 - Como ele pode? - diz Jimmy indignado.
 - Ele não me queria vivo, não queria ter que alimentar mais uma boca.
 - Vincent, por que eu olho parece normal? - pergunta Amy.
 - É lente, na verdade.. - Vincent retira varios " ohh " do grupo quando retira a lente e revela que seu olho direito, é amarelo. - ..ele é amarelo.
 - Por o que você foi atacado? - pergunto.
 - Ironicamente.. - começa Vicent.
 - Por Lobos... - termina Amy. -..É como se eles tivessem tirado uma parte de você e dado uma parte deles.. É como se você fosse um Lobo...


 Na hora de sair, discuto com Vincent e com Jimmy que insistiram em dividir a conta, mas pra minha surpresa eu ia ter que aceitar.
 - Como assim não tá passando o cartão?
 - Senhor, aqui diz que não possui saldo suficiente. - diz a balconista.
 - Passe de novo!
 - Leo. - interrompe Vincent. - Ela já passou quatro vezes, deixa que eu pago hoje, você acerta comigo depois.
 - Mas.. mas..
 - Relaxa, somos amigos, isso é nada.
 - Não é só isso, normalmente deveria ter pelo menos 200$.
 - Por que? - pergunta Jimmy.
 - Meu pai deposita 800$, mais o dinheiro do aluguel. Nesse mês eu não gastei com nada!
 Rapidamente pego o meu celular e ligou pro meu pai, fazia cerca de 3 meses que eu não falava com ele, mas mesmo sendo um motivo errado, era de se preocupar.
 - Tá chamando? - pergunta Amy.
 - Não. Nem disca, só cai direto na caixa postal!
 - Quer passar lá? - Vincent pressente algo. - Não parece normal.
 - Eu não posso chegar muito tarde em casa. - diz Sarah.
 - Eu levo ela embora, aproveito e vou pra minha. - fala Jimmy liberando o caminho. - Dai vocês podem ir lá sem problema com horário.
 - Certo, vamos? - pergunta Amy
 - Claro.
 Vamos direto pra casa aonde eu morava, por que assim como o Vincent, eu também tive um mal pressentimento. Meu pai não é do tipo de pessoa que desliga o celular ou deixa ele incomunicativo, por causa do trabalho ele precisa deixar ele sempre impecável.
 Assim que chegamos, eu vejo que as luzes estão apagas e que o carro não está ali.
 - PAAAI. - grito rapidamente.
 - Leo. - Vincent chama minha atenção. - O chão não é varrido a um bom tempo e as janelas estão embaçadas.
 - O que??
 - Leo.
 - Sim?
 - Eu acho que seus pais foram embora daqui..

sábado, 14 de dezembro de 2013

A Quinta Brisa

 O Tempo passou, cerca de 6 meses depois de eu ter encontrado Vincent na sala de aula. Depois daquele dia, eu o ensinei tudo o que sabia, expliquei sobre o clã e com o passar do tempo eu vejo que sua mente está se lembrando de tudo. Isso costuma acontecer, as vezes, dependendo da forma como você morre ou até na ordem que você morre. Por exemplo, dentre os setes da ultima geração eu fui o primeiro a morrer, por isso nessa geração eu fui o primeiro a nascer e a lembrar.
 - Leo? - Pergunta Vincent que estava ao meu lado. - Tudo bem?
 - Sim, estava divagando.
 - Ahhn, tá certo.
 Estamos em minha casa, de vez em quando ele vem aqui pra fazer companhia, limpar e até mesmo por não ter nada pra fazer, algumas vezes a gente treinava um pouco, mas agora que entrou Jimmy, temos que dar o exemplo, por isso treinamos ainda mais do que antes.
 - Estou fazendo certo Leo? - Pergunta Jimmy enquanto praticava, estava tentando criar uma esfera de Chii.
 - Humm, libera um pouco mais de Chii e mantenha concentração no formato.
 - Certo.
 Era de tarde e estávamos desde manhã treinando, mesmo eu e Vincent já estarmos bem avançados, Jimmy estava começando, mas era um prodígio mesmo fazendo cerca de um mês que entrou para os Asaras.
 - Então Leo. - diz Jimmy cancelando o que fazia. - Pode me dizer de novo? Eu acho que não entendi muito bem a história do clã.
 - Deixa que eu explico. - Interviu Vincent. - Seguinte Jimmy, repasse pra mim o que você já sabe.
 - Certo, deixa eu ver, sei que existem 6 comandantes e uma general, essas 7 pessoas tem seus esquadrões que ao todo formam o clã chamado Asaras e com eles mantém o equilíbrio do mundo.
 - Só isso?
 - Não. O Asaras é uma organização que trabalha com outras cinco que enfrentam seis organizações malignas e isso tudo é "fiscalizado" pela organização suprema, a dos Deuses. Totalizando 13 organizações "sobrenaturais".
 - Exato, algo mais?
 - Sim, nós usamos Chii. Agora sim, é tudo que eu decorei.
 - Não diga decorar, não é uma prova. - corrige Vincent. - Sobre os Gaijous, você entendeu?
 - Não.
 - Sobre os Avatares? Vidas Passadas? Poderes? Outras organizações? Os deuses?
 - Não, não, não, não e não. - Jimmy olhava com uma cara de criança que não entendia nem os nomes.
 - Hahahahaha isso vai ser divertido, boa sorte Vincent. - eu o vejo pondo a mão na testa, sei que o atormenta falar a mesma coisa varias vezes. - Pode começar.
 - Assim, o começo é idêntico ao da Bíblia, a diferença é que por meios de segurança nela não é citada quem nós somos e nossos nome, mas estamos lá.
 - Como assim?
 - Você sabe como é o Apocalipse?
 - Sim eu sei
 - Segundo o Apocalipse, quando os Setes Selos forem quebrados, surgira Setes Anjos com Sete Trombetas que anunciaram as sete pragas e por fim aparecem as Setes Taças, dai quer dizer que é o fim do mundo. Tem uma coisa que poucos sabem e não é citada na Bíblia, existem Sete Serafins que cuidam do Trono de Deus e na hierarquia do céus, os serafins " mandam na porra toda ".
 - Serio? - Jimmy ouvia isso pela quarta vez e ainda se surpreendia.
 - Sim
 - Qual é essa hierarquia, qual é a ordem dela?
 - Em primeiro vem os Serafins, em seguida os Querubins, os Tronos, as Dominações, Virtudes, Potestades, os Arcanjos, Principados e por fim os Anjos. Esse grupos são chamados de Coros Celestes e cada um tem a sua função.
 - Qual é a de cada um? 
 - Serio mesmo que você quer ouvir isso? Não tem nada a ver com a história.
 - Eu quero saber.
 - Certo, começamos com os Serafins são conhecidos como ardentes ou de serpentes de fogo. É a ordem mais elevada da esfera mais alta. São os anjos mais próximos de Deus e tem a capacidade de inflamar os anjos inferiores no cumprimento dos desígnios divinos, purificando-os com seu fogo e iluminando suas inteligências, destruindo toda sombra, ou os matando. Eles possuem seis asas, sendo um par para voar, um par para cobrir o rosto e o outro para cobrir o sexo do anjo.
 - São tão "fodas" assim?
 - Sim, os comandantes são serafins.

 - Serio?
 - Se você tivesse me deixado terminar, eu teria te falado antes, vamos retomar o pensamento. - Vincent pigarreia. - Em seguida é os Querubins que  são seres misteriosos, descritos por alguns como formas híbridas de homem e animal. Mas na maioria das vezes são bebes fofinhos que protegem o Trono de Deus, eles têm o poder de conhecer e contemplar a Deus mais do que os outros anjos, e de serem receptivos ao mais alto dom da luz e da verdade, à beleza e à sabedoria divina. Lúcifer era um Querubins.
 - Pera, eles protegem o trono certo? 
 - Sim
 - O que fazem os Serafins? 
 - São tipo a polícia celestial dos anjos, julgando tantos os anjos, como humanos e demônios. É claro que isso tudo como o consentimento de Deus. 
 - Ahhnn, entendi agora. 
 - Tronos é o próximos que alias, esse nome significa "anciões" e são indentificados como os 8 anciões que perpetuamente se prostram diante de Deus. São os símbolos de autoridade divina e livre de toda contaminação. São eles os anjos: Lauviah, Caliel, Leuviah, Pahaliah, Nelchael, Ieiaiel, Melahel e Haheuiah.
 - Mas o que eles são exatamente? - pergunta Jimmy não entendendo.
 - Conselheiros.
 - De Deus?
 - Do que for preciso. Posso?
 - Claro, desculpa.
 - Serafins, Querubins e Tronos, é composta pelos anjos mais próximos de Deus que desempenham sua função diante do Pai. São a primeira tríade.
 - São quantas tríade ao todo?
 - Três. A Segunda tríade é composta de Dominações, Virtudes e Potestades. Dominações têm a função de regular as atividades dos anjos inferiores, distribuem aos outros anjos da primeira à segunda tríade. Eles portam orbes de luz em uma das mão e cetros que indicam seu poder, na outra. São anjos que auxiliam nas emergências ou conflitos que devem ser resolvidos logo, embora raramente entrem em contatos com as pessoas.
 - São como os bombeiros.
 - Você tem mesmo que comentar sobre cada um? Espera eu terminar dai você comenta. - diz Vincent que já está ficando estressado - Posso continuar?
 - Claro Primeiro, desculpa.
 - As Virtudes são responsáveis pela manutenção do curso dos astros para que a ordem do universo seja preservada e também orientam as pessoas sobre sua missão. São encarregados de eliminar os obstáculos que se opõe ao cumprimento das ordens de Deus. Eles são particularmente importantes por que tem a capacidade de transmitir grande quantidade de energia divina.
 - Vincent. - interrompo ele. - Eu continuo daqui, vá descansar!
 - Certo, vou pegar algo pra bebermos na padaria ali da esquina. - em seguida vincent sai e eu assumo.
 - Continuando a explicação, depois das Virtudes vem os Potestades. Potestades ou Potências são também chamados de "condutores da ordem sagrada". Executam as grandes ações que tocam no governo universal. Eles são os portadores da consciência de toda a humanidade, os encarregados da sua história e de sua memória coletiva. Também são descritos como anjos guerreiros completamente fiéis a Deus.
 - Chegueeeei. - diz Vincent entrando pela porta. - Demorei?
 - Não, foi rápido até.
 - Comprou o que? - pergunta Jimmy eufórico.
 - Sucos!
 - Certo Jimmy voltando, ainda tem mais três e em seguida da segunda tríade vem a terceira que é composta pelos anjos ministrantes, que são encarregados do caminho das nações e dos homens. Os Principados são os primeiros da terceira tríade e são os anjos encarregados de receber as ordens das Dominações e Potestades e transmitir elas aos reinos inferiores. Guardam as cidades, os países, os reinos, as províncias e as dioceses.
 - São como as Dominações só que pra última tríade, certo? - diz Jimmy jogando a garrafa de suco vazia.
 - Correto! O Arcanjos significa "anjo principal" ou "chefe". Seu caráter de mensageiros, ou intermediários, é assinalada pelo seu papel entre os Principados e os Anjos, interpretando e iluminando as ordens superiores para seus subordinados, além de inspirar misticamente as mentes e os corações humanos para a execução de atos de acordo com a vontade divina. Atuam assim como arautos dos desígnios divinos, tanto para os Anjos como para os homens.
 - E eu que achavam que eram soldados.
 - Todos são, menos os Tronos que são anciões. - completa Vincent.
 - Serio? - pergunta Jimmy.
 - Sim!
 - Voltando, só falta os Anjos. Os Anjos são seres angélicos mais próximos do reino humano, o último degrau da hierarquia angélica, eles também são seres celestiais que ocasionalmente aparecem para os seres humanos trazendo ordens divinas. Sâo feitos de luz e fogo sua aparição é imediatamente reconhecida como de origem divina.
 - Entendi, agora ficou fácil de entender.
 - Mais alguma coisa? - pergunto a Jimmy.
 - Sim, explique dos Gaijous.

 - Leo! - interrompe Vincent. - Você está sentindo esse Chii?
 Eu não tinha reparado mas Vincent estava certo, era um Chii grandioso e era dos Asaras. Na maioria das vezes, esse Chii com essa magnitude são de comandantes.
 - Sim e está vindo pra cá!
 - Que Chii? - Jimmy ainda não tem a capacidade de sentir Chii desenvolvida.

 - Pelo caminho que faz, esta vindo de algum tipo de carro ou ônibus. - diz Vincent.
 - Vamos lá pra rodoviária, na pior das hipótese ele passa por nós.
 - Certo, vamos! Jimmy! - diz Vincent e vira pra Jimmy - Enquanto estivermos fora, quero que não saia daqui.
 - Mas eu preciso apresentar aquela garota que falei, que tem capacidade de gerar Chii.
 - Certo, vá mais volte rápido. - completo para Jimmy. - Nos espere na calçada.
 - Tá, boa sorte!
 - Certo. 
 Saem os três da casa, mas Jimmy segue a direção oposta à nossa. Demora cerca de 10 minutos até chegarmos na rodoviária e percebemos que a energia está se aproximando, em seguida percebo que conheço a densidade e o tipo do Chii, é a segunda comandante.
 - Vincent, é a segunda!
 - Jura?
 - Sim!
 - Legal, agora são 3 comandantes juntos!
 - Mas mais legal ainda é algo que ainda não te expliquei.
 - O que é?
 - Assim, você percebeu que são 4 mulheres e 3 homens, certo?
 - Sim.
 - Então, tirando a Sétima, os comandantes 1 e 2, 3 e 4, 5 e 6, são casais.
 - Então você quer dizer que essa comandante que vem ai, é a minha "namorada"?
 - Bem isso.
 Mal termino de falar e o ônibus chega no terminal. Não preciso ler mentes para perceber que de repente, Vincent ficou eufórico. É..

       ..sempre ficamos assim quando reencontramos as parceiras.  

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A Quarta Brisa

 O número de pelúcias que Lia tinha em sua coleção, eu duvido que alguém pudesse ter mais, era preciso dois armários para comportar o mar de bichinhos e tinha de tudo um pouco, Gambás, Coelhos, Ursos, Raposas, Focas. Lia não merecia aquele destino, ela não merecia morrer por um desgraçado mentiroso, não merecia morrer por mim, ela merecia coisa melhor.
 Sentado na cama onde antes era de Lia, eu repasso cenas, momentos e ocasiões onde fui frio ou seco com ela, eu remou a amargura de te-la perdido, eu no fundo a amava. Eu perdi minha irmã, minha igual, alguém de quem eu era gêmeo, eu perdi um elo importante.
 - Leo, vai ficar muito aí? Eu e seu pai vamos visitar o túmulo dela. - Era a quarta vez na semana que meus pais ia no cemitério ver onde Lia repousa.
 - Mãe, não acha que tá indo muito lá?
 Eu nunca tinha apanhado da minha mãe, mas eu acho que eu tinha merecido aquele tapa na minha cara.
 - VOCÊ DEVIA SE ENVERGONHAR, SEMPRE FOI FRIO COM ELA! - Ela estava finalmente descontando o rancor que sentia. - EU PERDI MINHA FILHA E VOCÊ AINDA É FRIO!
 - Mãe não foi minha culpa.
 - NÃO? SE NÃO FOSSE AQUELE SEU "AMIGO", LIA ESTARIA VIVA!
 - O que está acontecendo aqui? - Intervem meu pai. - Amor temos que ir,  senão vamos nos atrasar.
 - Desculpa mãe. - Nesse momento ela bate de novo na minha cara.
 - Nunca mais me chame de "mãe", quando eu voltar quero ver você fora daqui! - Terminando a frase ela me das as costas e começa a chorar.
 - Leo, eu acho melhor você passar uma semana na casa de um conhecido seu. - Diz meu pai
 - Eu não tenho, pai. O único que eu tinha era um trairá desgraçado.
 - Então eu pago uma casa pra você. Escolha uma com o básico e me ligue.
 - Agora?
 - Sim, agora. Vai! - Ele tira 20$ da carteira e poem na minha mão e vai embora.
 Eu espero o carro sair da garagem pra poder arrumar minha mochila com algumas peças de roupas, eu saio do meu quarto e revejo o estrago que ficou na minha sala. Raque com algumas prateleiras quebradas, o aquário em cacos no chão com alguns enfeites e uns ouriços mortos também. O balcão onde tomávamos café, simplesmente destruído, junto com uma parte da pia que ficava atrás. A minha katana que não fora embainhada e estava largada próximo ao tapete com sangue e por fim, a faca que não foi recolhida que tinha o sangue da Lia.
 Eu visito uma das mobiliarias da cidade procurando uma casa de um valor baixo. Eu acho uma de primeira, ela ficava do outro lado da cidade, ele era barato e o bairro era calmo, dava pra ficar em alerta com o mínimo de esforço, afinal, eu não estava em condições pra nada. Eu parto em direção ao lugar com uma chave na mão e o celular na outra ligando e contando pro meu pai.
 - Eu achei uma, ela é barata mas fica do outro lado da cidade.
 - Tudo bem, quando as coisas se acalmarem eu ligo dizendo pra voltar. Mas por enquanto eu vou mandar uma quantia de dinheiro pra você poder ter um lugar pra ficar.
 - Tá certo, até.
 Eu chego na casa em questão, ela não faz jus ao preço, parece que ela vale 200$ a mais do que é pedido, deve ter acontecido algo aqui como por exemplo um suicídio. A frente da casa era pacata, tinha duas árvores na calçada e o portão era de madeira (pega fogo fácil eu pensei comigo), ela era inteiramente azulejada com um piso meio azul e a casa tinha laje. A sala era grande pra caramba, era maior que a sala da outra casa, mas a cozinha que era pequena, sendo um pouco maior do que o  meu quarto. Ela tinha dois quartos sendo um com suíte, ele é meu já, mas o que mais chamou a atenção mesmo é que no quintal tinha piscina.
 - Ôoo de casa. - uma voz vinha do muro ao lado. - Oi, eu sou a sua vizinha, você vai se mudar pra cá?
 - Sim.
 - Essa casa é bonita, eu moraria ai se essa aqui não tivesse sido construída antes e meus país terem comprado essa aqui antes. - Ela era falastrona. - Você vai morar sozinho?
 - Sim.
 - Nossa, você é de poucas palavras hein?!
 - Um pouco, com licença.
 - Ahh sim, desculpa, boa sorte com a casa. - Em seguida some atrás do muro.
 Por sorte eu já tinha sido inscrito na escola daqui e começava hoje a noite, já era uma distração ao menos, mas o difícil é que eram pessoas novas e isso sempre complicava. Eu solto minha mochila no meu quarto e cai a minha ficha de que não tenho móveis, nem mesmo um colchão pra dormir, tudo o que eu tinha era algumas roupas e meu material que eu usava na escola anterior. Eu ligo o chuveiro na esperança de poder tomar um banho e capotar e meu desejo é atendido com o vapor saindo da água que caia , tomo um banho demorado e aproveito aquele tempo pra organizar a bagunça dos meus pensamentos.
 Certo, vamos por partes. Primeiramente sei que o Yan é de uma organização dentre as outras 12, sei também que ele foi ordenado à me matar e isso foi na geração anterior. Em segundo lugar, ele conseguiu de alguma forma entrar na mente da minha irmã, ele não tem esse poder e a única coisa parecida é o Palácio do Silêncio. É isso! O Palácio do Silêncio é a resposta! Ele a usou como um portal pra entrar na mente da Lia, ela é era a minha irmã gêmea então o Chii é praticamente igual, ele só precisava tentar abrir um canal comigo mas mudando pra Lia, isso fez com que o canal ficasse "mal feito" e graças a isso a voz ficou distorcida e ela não pode responder!

 Meu celular desperta, é 6:00 da tarde e ele anuncia que preciso ir pra escola, mesmo com muita fome eu me arrumo e saio de casa. Chego na escola, passo na secretaria que informa minha sala em que vou estudar, subo as escadas, entro na sala e desabo na carteira, totalmente sem vontade eu tiro o material da mochila e tento não pensar no Yan ou na Lia.
 -  Alunos, nesse bimestre eu passei pouca coisa avaliativa e pouco trabalho, então pra esse bimestre vou passar um trabalho pesado pra poder contar como nota e uma prova do cão! - disse a professora rompendo meus pensamentos. - Quero que vocês façam grupos para o trabalho!
 - Quantos pessoas no máximo professora? - pergunta um aluno idiota.
 - No máximo de 4 pessoas - retruca a professora - Vamos, juntem os grupos, escolham e não demorem, senão eu vou escolher.
 Legal, mal chego na escola e tenho trabalho pra fazer..
 - 
Olha, você é aluno novo, não? - Pergunta um cara que senta do meu lado. Eu não sei como aconteceu aquilo mas eu conhecia aquele cara, eu vi atrás dele um semblante de lobo e ouço a voz dele.
 - Ele é o primeiro! Você finalmente nos achou Quinto. - Diz o Lobo branco de olhos amarelos.
 Nisso, em um milésimo de segundo eu vejo em minha mente o encontro de ambos e sei que ele ainda não sabe o nome do Gaijou dele.
 - Porquê você quer fazer esse trabalho comigo?
 - Por quê não tem ninguém melhor pra fazer o trabalho e mais, você não tem com quem fazer. - Eu vejo que ele é mesmo o primeiro, mesmo eu não merecendo, ele é bacana comigo.
 - Tá certo!
 - Qual o seu nome?
 - Leo.
 - Legal, viu e se.. - Sem esperar, eu vejo que ele precisa de um choque e eu, de um amigo
 - Eu sei do Lobo...

 Gozado que eu precisei perder um amor, um melhor amigo e uma irmã, pra achar o meu irmão de outra vida. Finalmente eu achei o Primeiro e ele se chama.. ..Vincent!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Terceira Brisa

 Quando você molha com água o tapete branco que fica na sua sala, você não vê algo diferente do que fibras com partículas de H2O, mas quando é sangue que é derramado ali, tudo muda. A forma como algumas gotas respingadam no centro do tapete, muda o significa, é simplesmente lindo.
 - Você pode repetir uma vez mais? - Pergunta Yan enquanto segurava a katana. - Eu acho que não entendi direito.
 - Claro, você não vai me matar.
 - Você tem culhão Leo, eu admiro isso. Mas convenhamos, você tá acabado. - Yan vira a lâmina de sua katana em minha direção, ele ia me atacar. - E nada do que você faça, vai me convencer a não te matar.
 - Quem disse em convencer, eu simplesmente vou te matar antes de você tentar algo.
 Yan empunhava a sua katana preferida, ela foi dada pelo avô que viajou para o Japão uma vez. Ela era linda possuía um metro e sessenta centímetros e quando descansada na bainha ela parecia silenciosa, mas quando sacada, parecia que a lâmina vibrava.
 Sua katana era de aço damasco, tinha detalhes ondulado no fio, como uma onda que a cada três ondulações ela fazia uma maior. A madeira inteira da espada era preta e brilhante, a empunhadura era uma cor de creme e no meio havia alguns ideogramas que segundo ele, traduzido formaria o nome da espada, Golem Antipático. Quem chama a própria katana de Golem Antipático?
 Yan avançou com a espada, ele a levantou até a sua cintura, deu um golpe na horizontal e eu dei uma cambalhota e rolei pra trás dele aonde estava a minha espada. Quando toquei a bainha da espada, eu senti um vento e me virei, Yan estava com a espada em cima da cabeça e ia fazer um corte na diagonal, eu desembainhei a espada e parei o golpe dele.
 - Leo, por que ainda tenta? - Yan queria me distrair, sabia que eu era bom com a espada e falando comigo ia me distrair. - Sempre fui superior a você, sempre fui melhor em controle de Chii.
 - Pode até ser, mas assim como você, eu também sou um comandante. - Empurro a lâmina dele pra frente e faço um corte horizontal para que ele vá pra trás, a vantagem de campo é minha.
 - Não Leo, eu não sou um comandante. - Yan conseguiu, me distraiu. - Eu menti, nunca fui do Terceiro.
 - O que??
 Ele bloqueia o meu ataque, ajoelhando no chão e mantendo a espada firme e verticalmente, ele se levanta mas sem deixar sua força vacilar, roda o corpo e ataca, dando um ataque alto pra me decapitar, mas o tapete segura seu movimento. Aquilo o desequilibra e me dá chance pra um contra ataque, eu uso o raque como apoio faço o mesmo movimento que ele, só que no ar.
 - Agora acabou Yan, essa você perdeu! - Uma corrente voa da porta até a minha espada, se enrola nela e eu sinto um puxão, anulando o ataque - O que é isso?
 - Hahahaha, por favor Leo, não me subestime. - Yan abre a defesa não aproveitando a brecha causada. - Acho que vou brincar com você Leo, em seguida eu te mato!
 - Yan, pelo amor de Deus, eu não to entendendo..
 - Você já vai entender, Leo.


- Faz quanto tempo que nos conhecemos? - Começa Yan enquanto estou ajoelhado no tapete sem minha espada e o fitando.
- Cerca de 11 anos.
- E você nunca estranhou certas coisas? - Yan sorri maliciosamente.
- Sim, na verdade eu reparava em coisas que você fazia, mas nunca cheguei a perguntar.
- E por que?
- Por quê achava besteira tocar em assuntos sendo que confio em você
- Leo, quem apresentou Holly pra você?
- Foi você, Yan.
- Já perguntou pra si mesmo ou pra Holly como nós nos conhecemos?
- Nunca
- Holly e eu somos amigos de foda. Sabia disso? - Ele dizia isso na maior calma.
 Nisso, a própria Holly entra na casa, ela está segurando uma corrente com a minha katana presa na ponta e ela estava com uma cara diferente da anterior, estava com uma cara de puta. Holly passa a mão no peito e desce a mão até a barriga e depois a coxa, enquanto faz isso ela passa a língua nos lábios, querendo provocar, mostrar que é uma suja e que eu nunca percebera.
 - Você foi otário Leo, desde o começo eu e Yan estavamos juntos nessa. - Diz Holly com uma voz mais vibrante que antes, ela simplesmente entra e minha mente e faz doer tudo. - Nós fodiamos gostoso enquanto você não tava na casa do Yan, algumas vezes até fodiamos na sua casa, mas na maioria das vezes era com você do lado.
 - CALA A BOCA HOLLY. - Grita Yan, fazendo ela se assustar e derrubar a corrente. - A questão Leo, é que nós tínhamos uma missão e ela consistia em arranjar toda informação sobre o Clã.
 - Mas, somos conhecidos desde os 6 anos, nessa época como você podia estar com a Holly. E mais, como desde quando é essa missão?
 - Desde os meu 6 anos. - Yan me encara com o coração dele, vejo que ele não está mentindo.
 - Mas...como?
 - Leo, os Asaras não é a única organização na ativa. Os integrantes das 13 organizações, estão presos a uma roda do destino, eles morrem e reencarnam a mesma pessoa, mas em corpos diferentes. Eu tenho essa missão desde o final da minha vida passada e hoje eu vou cumpri-la.
 - Qual é a sua missão Leo?
 - Impedir o inicio dos Asaras e matar você.
 - E a Holly te ajudou em me dar uma falsa paz, livre de preocupações e fazer eu achar que não tinha problemas com outras organizações, enquanto você, estimulava minha memória e roubava informações.
 - Isso aí, você finalmente entendeu.
 - Yan, pra quem você trabalha? - Meu pulso se fecha e até mesmo Yan sente o Chii transbordar.
 - Leo não se m..
 Meu punho ganha uma iluminação branca e o dou um soco usando o Chii. Eu carreguei minha mão demais, o soco fez a cabeça de Yan entrar na parede.
 - Yan, meu amor. - grita Holly desesperada, mas antes que pudesse fazer algo, eu aponto minha mão pra ela e um tufão de vento joga ela pra fora e fecha a porta da sala.
 - Yan, eu sei que você não morreu, esse pequeno soco não ia te matar.
 - Hahahaha, é claro que não! - Yan se levanta e investe contra mim, eu vejo seus movimentos claros e posso desviar, só manter a calma. - Certo Leo, vamos terminar isso.
 Um soco alto, um Jab, assim Yan parte pra cima. Atrás de mim há o balcão onde eh a cozinha, meu pai achou uma boa ideia manter uma "cozinha/sala ". Em vez de esquivar, eu seguro o pulso de Yan e uso seu movimento contra ele mesmo, o arremessando no balcão e quebrando o mármore.
 - Uau, esse movimento foi fantástico. - A adrenalina sobe a cabeça de Yan e ele não parece nem um pouco machucado.
 Em seguida, Yan se levanta e usa o raque que estava atrás de mim ao seu favor, me derrubando. Para alguém que consegue afundar paredes, sair debaixo de um raque de 120kg não é nada, eu levanto e não tenho tempo pra reagir, recebo o pé de Yan em minha barriga.
 - Gosta disso Leo? Sempre quis fazer isso! - Yan abre a guarda.
 - Péssimo movimento!
 Eu sou jogado na parede e em minha esquerda tinha o aquário com ouriços do mar e peixes que ganhei de meu tio, sem pensar, eu segura na borda o levanto e o esmago na cara do Yan.
 - FILHO DA PUTA! - Antes de que ele reaja, eu termino a sequencia dando um murro no nariz de Yan e em seguida um "rabo de arraia" fazendo-o sair do chão e voltar pro balcão destruído.
 - Saí da minha casa Yan. Saia ou você morre aqui e hoje! - Eu tinha achado a minha katana. - Se você sair agora, nós resolvemos isso em outro dia, em outro lugar!
 Nessa hora a Holly voa pela porta derrubando-a e "pousa" no tapete branco da sala, ela sequer está acordada, estava desmaiada com o nariz sangrando e o braço quebrado. Em seguida entra pela porta a Lia, com a boca cortada e o braço deslocado, ela encarou Yan e partiu pra cima dele.
 Em 2 passos, Lia estava com a mão na cabeça dele e esmagaria na parede se ele não estivesse com a mão no faqueiro pronto pra usa-lo.

 Se passaram 4 dias depois de Yan ter entrado em minha casa com a Holly e ter tentado me matar, depois daquilo eu tive que amparar minha mãe e auxiliar meu pai com o enterro, por que o bastardo...

 ...matou a minha irmã.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A Segunda Brisa

 Eu nunca tinha sentido antes, a sensação de enfiar uma lâmina em alguém. Aprendi como era matar algo quando eu precisei espairecer depois da morte do Akira, aprendi a ver o sangue em minha mãos quando um homem me provocou no pior momento de todos.
 Qualquer outro dia, qualquer outra hora, esse cara estaria vivo. Eu nem sei o nome dele, nem sei se é casado ou se tem filhos, tudo o que sei é que ele não tinha culpa.

 - Amigo, você tem cigarro? - Diz um homem me parando na rua, não era o momento ideal.
 - Não chega perto de mim!
 - Eu só quero um cigarro, você não fuma?
 Eu carrego sempre comigo uma lâmina de estilete, é muito útil por que posso esconde-la na manga e ela não faz "muito estrago".
 - Eu te avisei, você não me ouviu.
 Terminado a frase, minhão mão já tinha pegado a lâmina e enfiado na barriga do homem, eu já sentia o calor do sangue cobrir parte do meu punho. Foi rápido fazer, mas não foi rápida a morte do homem. Depois de ter feito eu me lembro que se você quer fazer alguém ter uma morte dolorosa é perfurando sua barriga, não sei o por que exatamente, mas sei que é verdadeiro.
 - O que eu te fiz? - Pergunta o homem tentando fazer o sangue parar de escorrer. - Eu sou inocente.
 - Ninguém é inocente, ninguém. Você fez algo e está pagando por isso.
 - Mas quem é você pra me julgar?
 - Eu sou um servo de Deus.

 Justamente no dia que perdi Akira e matei um homem, os céus estavam brincando de ser clichê, chovia muito. Era final de tarde e eu não tinha voltado pra casa ainda, arranjei um espaço na frente de uma loja que tinha um toldo e lá sentei, aguardado tudo ser lavado pela chuva.
 Eu não ficava me questionando o que eu fiz e nem o por quê de Deus pôr esse obstaculo em minha frente, eu me questiono se aquilo que ouvi de Lia era real. Yan tinha mesmo incitado minha irmã a matar o Akira?
 - Vai ficar se lamentando da vida, jovem? - Pergunta um homem de manto que para na minha frente. - Vai abaixar a cabeça até quando?
 Mal tenho tempo pra reparar melhor nele, sua mão segura meu pescoço e me joga na porta de metal da loja, em seguida ele me suspende no ar e começa a apertar a mão no meu pescoço.
 - Quem é você?
 - Se nem sabe o que eu sou, então você é muito jovem.
 Meu corpo age sozinho, eu uso meu pé para empurrar o homem para longe e ele solta meu pescoço. Mal tendo tempo pra me levantar, ele retira um sabre que estava próximo à cintura, o empunha e aponta em minha direção.
 - Últimas palavras Quinto!
 - Não hoje!
 Ele avança a espada em direção em minha garganta, eu rolo pra esquerda e invisto contra ele. Suas pernas estavam flexionadas então caímos na guia, me levantei o suficiente para ter espaço pra socar a cara imunda dele e mesmo estando em cima dele eu não conseguia ver seu rosto. No quarto soco ele põem o sabre na minha garganta ameaçando de corta-la e em seguida eu escuto uma buzina de carro, o carro ia atropelar ambos mas se dependesse de ia, apenas um ia.
 - Você não deve subestimar seus inimigos, te vejo por aí, amigo.
 - Não espe..
 Eu pulo em direção a calçada e só escuto a freada e um som de algo " explodindo ", eu evito olhar pra trás e só penso em fugir, corro o mais rápido que posso em direção à minha casa.
 Na frente de casa eu lavo os nós da minha mão direita na enxurrada, minhas mão não tremem, eu estou calmo e nem parece que matei dois homens hoje. Na verdade parece até mesmo que é um sonho, parece que não é real, parece que eu vou acordar. Mas o choque de realidade vem quando eu abro a porta da minha casa e vejo apenas o meu pai com uma carta na mão, ele estava chorando e quando se deu conta que estava ali, ele largou a carta e avançou em minha direção.
 - Seu moleque, como pode deixar sua irmã naquela situação? - Questiona meu pai. - Ela pode não resistir!
 - Como assim? O que houve? - Eu o afasto antes que ele me bata, sei que vai dar errado se ele fizer isso.
 - Sua mãe levou a sua irmã pro hospital, na carta diz que apareceu um corte na barriga e começou a sangrar muito.
 - UM O QUE???
 - Corte na barriga.
 Eu não acredito e corro pegar a carta, eu não li ela inteira mas pude ler a frase: "..chamei a ambulância por que Lia reclamou de uma dor na barriga e quando olhei havia um corte que estava sangrando..".
 - Pai eu não sei do que houve.
 - Eu vou indo pra lá, fique aqui e não saia de casa!!
 Meu pai bate a porta tão forte que minha espada japonesa que ficava pendurada na parede, cai e sai da bainha. Eu ando pela casa tentando ligar os pontos e tudo que me vêem a cabeça é que o que eu fiz pra aquele homem, aconteceu com a minha irmã e eu me pergunto se o que houve com o segundo, aconteceria o mesmo com ela.
 - Leo, você tá ai? - Diz uma voz que vem do meu portão.
 Naquela hora, justamente naquela hora eu aprendi o que hoje sei. Aprendi que sempre se precisa ter poder.
 - Yan?
 - Sim Leo, eu vim aqui. - Era meu amigo Yan, ele tava parado no meu portão. - Desculpa a demora, eu perdi o ônibus.
 - O que você faz aqui?
 - O mesmo que aquele cara veio fazer. Matar você, Quinto Comandante do Clã Asaras..


A Primeira Brisa

 É de manhã, 7 horas pra ser mais exato e como de costume acordo com um gosto de ferro na minha boca. Sempre acho que é sangue, acho que meu corpo sai parar caçar enquanto durmo e tem sucesso.
- Leo, telefone para você, é a Holly. - grita a minha mãe da sala
- Alô, Holly? - Em um pulo cheguei na sala.
- Ahh que bom que você atendeu, precisamos conversar, gostaria que fosse pessoalmente mas não tenho opção. - Diz Holly seriamente.
 Assim que ela diz a essa frase, em minha mente eu tenho certeza, " ela vai terminar comigo ". Depois de 8 meses namorando a serio, Holly vai terminar comigo. Uma serie de coisas passam na minha cabeça nesses segundos que antecederam a "conversa", eu lembro de cenas, lembro de palavras, imagino como vai ser daqui pra frente e me indago do motivo.
 - Leo?
 - Sim Holly, ainda estou aqui.
 - Antes de tudo, quero que saiba que não é do meu feitio fazer isso
 - Fazer o que?
 - Terminar por telefone..
 Passam 2 horas de explicações, discussões, tentativas de se redimir e por fim, ela atinge o objetivo esperado.
 - Leo me desculpa. - Eu ouço sua voz seca, ela nao derrama uma única lágrima, enquanto eu estou aqui me lavando com elas. - Seria errado te iludir, não íamos pra frente mesmo.
 - Baboseira, isso é desculpa. Me diz o real motivo Holly, eu mereço ouvir!
 - Eu conheci um cara, foi à 3 semanas antes de você partir. Quando você foi embora, nada mais me prendia.
 - Holly, por favor, eu t.. - Antes de terminar a frase, Holly me interrompe.
 - Não ouse Leo! Não digas essas palavras, nada vai mudar!
 - Eu te.. - Holly desliga o telefone.

 Mal cheguei nesta cidade, mal pude me acomodar aqui e minha vida muda. Eu não esperava que ela fosse terminar comigo, pelo menos não tão cedo, achei que estávamos bem, se não fosse por aquele tal "cara". Eu preciso falar com Yan, preciso saber quem é esse sujeito.
 - Yan? - No Palácio do Silêncio eu chamo por ele, é como um telefone, mas ele não responde. - Yaan?? Você está ocupado?
 - Olá Leo. - Yan aparece no Palácio, esta vestindo uma camiseta. - Tudo bem?
 - Não! Holly terminou comigo!
 - É, ela estava me contando agora.
 - Como assim? Ela está ai? Na sua casa?
 - Não Leo, estamos conversando na praça, ela me pediu pra vir aqui, ela está no banheiro agora.
 - Yan, ela me disse que conheceu um sujeito faz 3 semanas, ele é o motivo do nosso termino, eu preciso que você investigue!
 - Eu o farei Leo, você tem a minha palavra. Ela está voltando preciso ir, até. - Yan desaparece.
 Ao voltar pro meu quarto percebo que Lia estava sentada na borda da cama. Olhando mais atentamente notei que Lia estava com o meu celular em mãos e que tremia, eu a toquei com o intuito de chamar sua atenção mas ela não tinha percebido que eu estava "acordado".
 - Leo, eu... - Ela levanta abruptamente da cama e derruma meu celular. - Eu não queria saber, eu tentei, mas atiçou a minha curiosidade.
 - Do que está falando Lia? O que você soube?
 - Do Clã.
 Entrei em choque, por que por mais que fôssemos irmãos gêmeos, Lia não possuía dom ou destino pro clã, ela era uma pessoa comum. Mas ela ter conhecimento do Clã era algo ruim, ela não podia, eu tinha que fazer algo.
 - Do que está falando Lia?
 - No começo eu ouvia sussurros em minha cabeça, algo como a sua voz e a voz do Yan. Com o tempo eu simplesmente sabia de coisas.
 - Que coisas Lia???
 - Palácio do Silêncio, Quinto e Terceiro, Estilo do Vento, Sétima e 13 Organizações. - Quando ela citou aqueles nomes, percebi que ela não estava brincando.
 - Onde ouviu esses nomes, Lia?
 - Em minha mente, simplesmente eles entravam aqui e não saiam mais. - Lia estava chorando. - E agora eu olhei no seu celular e vi suas mensagens com o Yan que me comprovaram que essas coisas que eu aprendia, vinham de você.
 Eu estava em choque, era como se a Lia tivesse desenvolvido..
 - ..um elo com a minha mente. - Completa Lia calmamente. - Eu posso ouvir seus pensamentos inclusive.
 - Desde quando isso vem acontecendo?
 - 1 semana antes de sairmos daquela cidade.
 - Lia, sei que pode ler meus pensamentos, mas gostaria que agora você fosse pro seu quarto e tentasse não ouvir nada, eu preciso pensar um pouco.
 - Certo irmão, desculpe.

 Eu não tinha raiva de Lia, mas aquilo era um obstáculo pro Clã. Lia tinha domínio sobre o Chii e tinha um domínio que eu não tinha visto antes, mas a Lia não faz parte dos Asaras e isso complica as coisas. Eu tinha que fazer algo, eu precisava entender esses acontecimentos, saber desse tal elo "psiquico".
 Sentei confortavelmente em minha cama e reuni toda capacidade minha de concentração e tentei ver se captava algo que estava fora de sua ordem. Foi em vão, não vi nada, nenhuma anomalia e isso só podia dizer duas coisas. Primeira, era algo que não era utilizado através de Chii e Segunda coisa, era algo ligado ao fato de sermos gêmeos.
 Passei horas dentro de meu consciente procurando respostas, passei tantas horas que quando terminei me dei conta de algo que devia ter acontecido, mas não ocorreu. Eu não tinha visto Akira o dia inteiro e normalmente Akira nunca desgruda de mim. Levantei da cama e comecei a chamar por ele e assoviava, mas ele simplesmente não veio, revirei a casa inteira menos o quarto da minha irmã.
 - Lia, você está ai?
 - Leo? Vá embora! Eu estou bem!
 - Não Lia, eu to procurando o Akira, você viu ele?
 - NÃO! Eu não o vi o dia inteiro! - Disse com uma voz afobada
 - Lia o que você está escondendo?
 - Mãaaaae! O Leo não me deixa em paz.
 - Leo deixe sua irmã em paz, venha pra cá. - gritou minha mãe
 - Eu to procurando o Akira, ele sumiu.
 - Olhou na casa inteira?
 - Sim, mãe. Na casa inteira e nada
 - E a sua irmã não viu?
 - Ai que tá. Lia está agindo estranho, ela não abre a porta.
 - Lia, deixe seu irmão entrar ai, ele quer procurar o Akira. - Ordenou ela seriamente. - Lia não estou brincando, abra!
 - Mãe ele não está aqui. - Lia estava com uma voz de choro
 - Lia eu vou contar até 3! - Minha mãe estava nervosa demais, Lia nunca a obedecia e ela estava disposta a arrumar isso naquele exato momento.
 - Mãe nãooo!!! - Lia berrou. - O AKIRA NÃO ESTÁ AQUI.
 A porta do quarto da Lia é derrubada por único chute que dou, a queda da porta assusta a minha mãe e Lia, fazendo ela pular na cama com algo em seus braços.
 - Lia o que é isso em suas mãos. - Já invisto pra cima dela imaginando o pior. - Lia o que é isso?
 - Eu não queria fazer isso, eu não queria, mas as vozes me obrigaram.
 Lia estava com o Akira nos braços, ele estava coberto por um vermelho carmesim, assim como as mãos dela. Aquilo me fez ficar tonto, como pudera minha irmã matar meu cachorro, como?
 - Me desculpa Leo, foram as vozes, as mesma vozes que me contaram aquilo. Elas disseram que o Akira iria te fazer mal, disseram que o Akira era um cachorro mal!
 - Que vozes Lia? Isso não justifica o que você fez, como pode ouvir vozes que te incitavam a matar ele?? COMO???. - Levanto minha mão para bater nela, mas não é minha mãe nem os braços de Lia que me seguram, são suas palavras.
 - Por que quem dizia as palavras era o Yan, foi ele que me disse pra fazer isso, foi..

              ..a voz do Yan que me mandou matar o Akira.