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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Terceira Brisa

 Quando você molha com água o tapete branco que fica na sua sala, você não vê algo diferente do que fibras com partículas de H2O, mas quando é sangue que é derramado ali, tudo muda. A forma como algumas gotas respingadam no centro do tapete, muda o significa, é simplesmente lindo.
 - Você pode repetir uma vez mais? - Pergunta Yan enquanto segurava a katana. - Eu acho que não entendi direito.
 - Claro, você não vai me matar.
 - Você tem culhão Leo, eu admiro isso. Mas convenhamos, você tá acabado. - Yan vira a lâmina de sua katana em minha direção, ele ia me atacar. - E nada do que você faça, vai me convencer a não te matar.
 - Quem disse em convencer, eu simplesmente vou te matar antes de você tentar algo.
 Yan empunhava a sua katana preferida, ela foi dada pelo avô que viajou para o Japão uma vez. Ela era linda possuía um metro e sessenta centímetros e quando descansada na bainha ela parecia silenciosa, mas quando sacada, parecia que a lâmina vibrava.
 Sua katana era de aço damasco, tinha detalhes ondulado no fio, como uma onda que a cada três ondulações ela fazia uma maior. A madeira inteira da espada era preta e brilhante, a empunhadura era uma cor de creme e no meio havia alguns ideogramas que segundo ele, traduzido formaria o nome da espada, Golem Antipático. Quem chama a própria katana de Golem Antipático?
 Yan avançou com a espada, ele a levantou até a sua cintura, deu um golpe na horizontal e eu dei uma cambalhota e rolei pra trás dele aonde estava a minha espada. Quando toquei a bainha da espada, eu senti um vento e me virei, Yan estava com a espada em cima da cabeça e ia fazer um corte na diagonal, eu desembainhei a espada e parei o golpe dele.
 - Leo, por que ainda tenta? - Yan queria me distrair, sabia que eu era bom com a espada e falando comigo ia me distrair. - Sempre fui superior a você, sempre fui melhor em controle de Chii.
 - Pode até ser, mas assim como você, eu também sou um comandante. - Empurro a lâmina dele pra frente e faço um corte horizontal para que ele vá pra trás, a vantagem de campo é minha.
 - Não Leo, eu não sou um comandante. - Yan conseguiu, me distraiu. - Eu menti, nunca fui do Terceiro.
 - O que??
 Ele bloqueia o meu ataque, ajoelhando no chão e mantendo a espada firme e verticalmente, ele se levanta mas sem deixar sua força vacilar, roda o corpo e ataca, dando um ataque alto pra me decapitar, mas o tapete segura seu movimento. Aquilo o desequilibra e me dá chance pra um contra ataque, eu uso o raque como apoio faço o mesmo movimento que ele, só que no ar.
 - Agora acabou Yan, essa você perdeu! - Uma corrente voa da porta até a minha espada, se enrola nela e eu sinto um puxão, anulando o ataque - O que é isso?
 - Hahahaha, por favor Leo, não me subestime. - Yan abre a defesa não aproveitando a brecha causada. - Acho que vou brincar com você Leo, em seguida eu te mato!
 - Yan, pelo amor de Deus, eu não to entendendo..
 - Você já vai entender, Leo.


- Faz quanto tempo que nos conhecemos? - Começa Yan enquanto estou ajoelhado no tapete sem minha espada e o fitando.
- Cerca de 11 anos.
- E você nunca estranhou certas coisas? - Yan sorri maliciosamente.
- Sim, na verdade eu reparava em coisas que você fazia, mas nunca cheguei a perguntar.
- E por que?
- Por quê achava besteira tocar em assuntos sendo que confio em você
- Leo, quem apresentou Holly pra você?
- Foi você, Yan.
- Já perguntou pra si mesmo ou pra Holly como nós nos conhecemos?
- Nunca
- Holly e eu somos amigos de foda. Sabia disso? - Ele dizia isso na maior calma.
 Nisso, a própria Holly entra na casa, ela está segurando uma corrente com a minha katana presa na ponta e ela estava com uma cara diferente da anterior, estava com uma cara de puta. Holly passa a mão no peito e desce a mão até a barriga e depois a coxa, enquanto faz isso ela passa a língua nos lábios, querendo provocar, mostrar que é uma suja e que eu nunca percebera.
 - Você foi otário Leo, desde o começo eu e Yan estavamos juntos nessa. - Diz Holly com uma voz mais vibrante que antes, ela simplesmente entra e minha mente e faz doer tudo. - Nós fodiamos gostoso enquanto você não tava na casa do Yan, algumas vezes até fodiamos na sua casa, mas na maioria das vezes era com você do lado.
 - CALA A BOCA HOLLY. - Grita Yan, fazendo ela se assustar e derrubar a corrente. - A questão Leo, é que nós tínhamos uma missão e ela consistia em arranjar toda informação sobre o Clã.
 - Mas, somos conhecidos desde os 6 anos, nessa época como você podia estar com a Holly. E mais, como desde quando é essa missão?
 - Desde os meu 6 anos. - Yan me encara com o coração dele, vejo que ele não está mentindo.
 - Mas...como?
 - Leo, os Asaras não é a única organização na ativa. Os integrantes das 13 organizações, estão presos a uma roda do destino, eles morrem e reencarnam a mesma pessoa, mas em corpos diferentes. Eu tenho essa missão desde o final da minha vida passada e hoje eu vou cumpri-la.
 - Qual é a sua missão Leo?
 - Impedir o inicio dos Asaras e matar você.
 - E a Holly te ajudou em me dar uma falsa paz, livre de preocupações e fazer eu achar que não tinha problemas com outras organizações, enquanto você, estimulava minha memória e roubava informações.
 - Isso aí, você finalmente entendeu.
 - Yan, pra quem você trabalha? - Meu pulso se fecha e até mesmo Yan sente o Chii transbordar.
 - Leo não se m..
 Meu punho ganha uma iluminação branca e o dou um soco usando o Chii. Eu carreguei minha mão demais, o soco fez a cabeça de Yan entrar na parede.
 - Yan, meu amor. - grita Holly desesperada, mas antes que pudesse fazer algo, eu aponto minha mão pra ela e um tufão de vento joga ela pra fora e fecha a porta da sala.
 - Yan, eu sei que você não morreu, esse pequeno soco não ia te matar.
 - Hahahaha, é claro que não! - Yan se levanta e investe contra mim, eu vejo seus movimentos claros e posso desviar, só manter a calma. - Certo Leo, vamos terminar isso.
 Um soco alto, um Jab, assim Yan parte pra cima. Atrás de mim há o balcão onde eh a cozinha, meu pai achou uma boa ideia manter uma "cozinha/sala ". Em vez de esquivar, eu seguro o pulso de Yan e uso seu movimento contra ele mesmo, o arremessando no balcão e quebrando o mármore.
 - Uau, esse movimento foi fantástico. - A adrenalina sobe a cabeça de Yan e ele não parece nem um pouco machucado.
 Em seguida, Yan se levanta e usa o raque que estava atrás de mim ao seu favor, me derrubando. Para alguém que consegue afundar paredes, sair debaixo de um raque de 120kg não é nada, eu levanto e não tenho tempo pra reagir, recebo o pé de Yan em minha barriga.
 - Gosta disso Leo? Sempre quis fazer isso! - Yan abre a guarda.
 - Péssimo movimento!
 Eu sou jogado na parede e em minha esquerda tinha o aquário com ouriços do mar e peixes que ganhei de meu tio, sem pensar, eu segura na borda o levanto e o esmago na cara do Yan.
 - FILHO DA PUTA! - Antes de que ele reaja, eu termino a sequencia dando um murro no nariz de Yan e em seguida um "rabo de arraia" fazendo-o sair do chão e voltar pro balcão destruído.
 - Saí da minha casa Yan. Saia ou você morre aqui e hoje! - Eu tinha achado a minha katana. - Se você sair agora, nós resolvemos isso em outro dia, em outro lugar!
 Nessa hora a Holly voa pela porta derrubando-a e "pousa" no tapete branco da sala, ela sequer está acordada, estava desmaiada com o nariz sangrando e o braço quebrado. Em seguida entra pela porta a Lia, com a boca cortada e o braço deslocado, ela encarou Yan e partiu pra cima dele.
 Em 2 passos, Lia estava com a mão na cabeça dele e esmagaria na parede se ele não estivesse com a mão no faqueiro pronto pra usa-lo.

 Se passaram 4 dias depois de Yan ter entrado em minha casa com a Holly e ter tentado me matar, depois daquilo eu tive que amparar minha mãe e auxiliar meu pai com o enterro, por que o bastardo...

 ...matou a minha irmã.

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