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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A Segunda Brisa

 Eu nunca tinha sentido antes, a sensação de enfiar uma lâmina em alguém. Aprendi como era matar algo quando eu precisei espairecer depois da morte do Akira, aprendi a ver o sangue em minha mãos quando um homem me provocou no pior momento de todos.
 Qualquer outro dia, qualquer outra hora, esse cara estaria vivo. Eu nem sei o nome dele, nem sei se é casado ou se tem filhos, tudo o que sei é que ele não tinha culpa.

 - Amigo, você tem cigarro? - Diz um homem me parando na rua, não era o momento ideal.
 - Não chega perto de mim!
 - Eu só quero um cigarro, você não fuma?
 Eu carrego sempre comigo uma lâmina de estilete, é muito útil por que posso esconde-la na manga e ela não faz "muito estrago".
 - Eu te avisei, você não me ouviu.
 Terminado a frase, minhão mão já tinha pegado a lâmina e enfiado na barriga do homem, eu já sentia o calor do sangue cobrir parte do meu punho. Foi rápido fazer, mas não foi rápida a morte do homem. Depois de ter feito eu me lembro que se você quer fazer alguém ter uma morte dolorosa é perfurando sua barriga, não sei o por que exatamente, mas sei que é verdadeiro.
 - O que eu te fiz? - Pergunta o homem tentando fazer o sangue parar de escorrer. - Eu sou inocente.
 - Ninguém é inocente, ninguém. Você fez algo e está pagando por isso.
 - Mas quem é você pra me julgar?
 - Eu sou um servo de Deus.

 Justamente no dia que perdi Akira e matei um homem, os céus estavam brincando de ser clichê, chovia muito. Era final de tarde e eu não tinha voltado pra casa ainda, arranjei um espaço na frente de uma loja que tinha um toldo e lá sentei, aguardado tudo ser lavado pela chuva.
 Eu não ficava me questionando o que eu fiz e nem o por quê de Deus pôr esse obstaculo em minha frente, eu me questiono se aquilo que ouvi de Lia era real. Yan tinha mesmo incitado minha irmã a matar o Akira?
 - Vai ficar se lamentando da vida, jovem? - Pergunta um homem de manto que para na minha frente. - Vai abaixar a cabeça até quando?
 Mal tenho tempo pra reparar melhor nele, sua mão segura meu pescoço e me joga na porta de metal da loja, em seguida ele me suspende no ar e começa a apertar a mão no meu pescoço.
 - Quem é você?
 - Se nem sabe o que eu sou, então você é muito jovem.
 Meu corpo age sozinho, eu uso meu pé para empurrar o homem para longe e ele solta meu pescoço. Mal tendo tempo pra me levantar, ele retira um sabre que estava próximo à cintura, o empunha e aponta em minha direção.
 - Últimas palavras Quinto!
 - Não hoje!
 Ele avança a espada em direção em minha garganta, eu rolo pra esquerda e invisto contra ele. Suas pernas estavam flexionadas então caímos na guia, me levantei o suficiente para ter espaço pra socar a cara imunda dele e mesmo estando em cima dele eu não conseguia ver seu rosto. No quarto soco ele põem o sabre na minha garganta ameaçando de corta-la e em seguida eu escuto uma buzina de carro, o carro ia atropelar ambos mas se dependesse de ia, apenas um ia.
 - Você não deve subestimar seus inimigos, te vejo por aí, amigo.
 - Não espe..
 Eu pulo em direção a calçada e só escuto a freada e um som de algo " explodindo ", eu evito olhar pra trás e só penso em fugir, corro o mais rápido que posso em direção à minha casa.
 Na frente de casa eu lavo os nós da minha mão direita na enxurrada, minhas mão não tremem, eu estou calmo e nem parece que matei dois homens hoje. Na verdade parece até mesmo que é um sonho, parece que não é real, parece que eu vou acordar. Mas o choque de realidade vem quando eu abro a porta da minha casa e vejo apenas o meu pai com uma carta na mão, ele estava chorando e quando se deu conta que estava ali, ele largou a carta e avançou em minha direção.
 - Seu moleque, como pode deixar sua irmã naquela situação? - Questiona meu pai. - Ela pode não resistir!
 - Como assim? O que houve? - Eu o afasto antes que ele me bata, sei que vai dar errado se ele fizer isso.
 - Sua mãe levou a sua irmã pro hospital, na carta diz que apareceu um corte na barriga e começou a sangrar muito.
 - UM O QUE???
 - Corte na barriga.
 Eu não acredito e corro pegar a carta, eu não li ela inteira mas pude ler a frase: "..chamei a ambulância por que Lia reclamou de uma dor na barriga e quando olhei havia um corte que estava sangrando..".
 - Pai eu não sei do que houve.
 - Eu vou indo pra lá, fique aqui e não saia de casa!!
 Meu pai bate a porta tão forte que minha espada japonesa que ficava pendurada na parede, cai e sai da bainha. Eu ando pela casa tentando ligar os pontos e tudo que me vêem a cabeça é que o que eu fiz pra aquele homem, aconteceu com a minha irmã e eu me pergunto se o que houve com o segundo, aconteceria o mesmo com ela.
 - Leo, você tá ai? - Diz uma voz que vem do meu portão.
 Naquela hora, justamente naquela hora eu aprendi o que hoje sei. Aprendi que sempre se precisa ter poder.
 - Yan?
 - Sim Leo, eu vim aqui. - Era meu amigo Yan, ele tava parado no meu portão. - Desculpa a demora, eu perdi o ônibus.
 - O que você faz aqui?
 - O mesmo que aquele cara veio fazer. Matar você, Quinto Comandante do Clã Asaras..


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