É de manhã, 7 horas pra ser mais exato e como de costume acordo com um gosto de ferro na minha boca. Sempre acho que é sangue, acho que meu corpo sai parar caçar enquanto durmo e tem sucesso.
- Leo, telefone para você, é a Holly. - grita a minha mãe da sala
- Alô, Holly? - Em um pulo cheguei na sala.
- Ahh que bom que você atendeu, precisamos conversar, gostaria que fosse pessoalmente mas não tenho opção. - Diz Holly seriamente.
Assim que ela diz a essa frase, em minha mente eu tenho certeza, " ela vai terminar comigo ". Depois de 8 meses namorando a serio, Holly vai terminar comigo. Uma serie de coisas passam na minha cabeça nesses segundos que antecederam a "conversa", eu lembro de cenas, lembro de palavras, imagino como vai ser daqui pra frente e me indago do motivo.
- Leo?
- Sim Holly, ainda estou aqui.
- Antes de tudo, quero que saiba que não é do meu feitio fazer isso
- Fazer o que?
- Terminar por telefone..
Passam 2 horas de explicações, discussões, tentativas de se redimir e por fim, ela atinge o objetivo esperado.
- Leo me desculpa. - Eu ouço sua voz seca, ela nao derrama uma única lágrima, enquanto eu estou aqui me lavando com elas. - Seria errado te iludir, não íamos pra frente mesmo.
- Baboseira, isso é desculpa. Me diz o real motivo Holly, eu mereço ouvir!
- Eu conheci um cara, foi à 3 semanas antes de você partir. Quando você foi embora, nada mais me prendia.
- Holly, por favor, eu t.. - Antes de terminar a frase, Holly me interrompe.
- Não ouse Leo! Não digas essas palavras, nada vai mudar!
- Eu te.. - Holly desliga o telefone.
Mal cheguei nesta cidade, mal pude me acomodar aqui e minha vida muda. Eu não esperava que ela fosse terminar comigo, pelo menos não tão cedo, achei que estávamos bem, se não fosse por aquele tal "cara". Eu preciso falar com Yan, preciso saber quem é esse sujeito.
- Yan? - No Palácio do Silêncio eu chamo por ele, é como um telefone, mas ele não responde. - Yaan?? Você está ocupado?
- Olá Leo. - Yan aparece no Palácio, esta vestindo uma camiseta. - Tudo bem?
- Não! Holly terminou comigo!
- É, ela estava me contando agora.
- Como assim? Ela está ai? Na sua casa?
- Não Leo, estamos conversando na praça, ela me pediu pra vir aqui, ela está no banheiro agora.
- Yan, ela me disse que conheceu um sujeito faz 3 semanas, ele é o motivo do nosso termino, eu preciso que você investigue!
- Eu o farei Leo, você tem a minha palavra. Ela está voltando preciso ir, até. - Yan desaparece.
Ao voltar pro meu quarto percebo que Lia estava sentada na borda da cama. Olhando mais atentamente notei que Lia estava com o meu celular em mãos e que tremia, eu a toquei com o intuito de chamar sua atenção mas ela não tinha percebido que eu estava "acordado".
- Leo, eu... - Ela levanta abruptamente da cama e derruma meu celular. - Eu não queria saber, eu tentei, mas atiçou a minha curiosidade.
- Do que está falando Lia? O que você soube?
- Do Clã.
Entrei em choque, por que por mais que fôssemos irmãos gêmeos, Lia não possuía dom ou destino pro clã, ela era uma pessoa comum. Mas ela ter conhecimento do Clã era algo ruim, ela não podia, eu tinha que fazer algo.
- Do que está falando Lia?
- No começo eu ouvia sussurros em minha cabeça, algo como a sua voz e a voz do Yan. Com o tempo eu simplesmente sabia de coisas.
- Que coisas Lia???
- Palácio do Silêncio, Quinto e Terceiro, Estilo do Vento, Sétima e 13 Organizações. - Quando ela citou aqueles nomes, percebi que ela não estava brincando.
- Onde ouviu esses nomes, Lia?
- Em minha mente, simplesmente eles entravam aqui e não saiam mais. - Lia estava chorando. - E agora eu olhei no seu celular e vi suas mensagens com o Yan que me comprovaram que essas coisas que eu aprendia, vinham de você.
Eu estava em choque, era como se a Lia tivesse desenvolvido..
- ..um elo com a minha mente. - Completa Lia calmamente. - Eu posso ouvir seus pensamentos inclusive.
- Desde quando isso vem acontecendo?
- 1 semana antes de sairmos daquela cidade.
- Lia, sei que pode ler meus pensamentos, mas gostaria que agora você fosse pro seu quarto e tentasse não ouvir nada, eu preciso pensar um pouco.
- Certo irmão, desculpe.
Eu não tinha raiva de Lia, mas aquilo era um obstáculo pro Clã. Lia tinha domínio sobre o Chii e tinha um domínio que eu não tinha visto antes, mas a Lia não faz parte dos Asaras e isso complica as coisas. Eu tinha que fazer algo, eu precisava entender esses acontecimentos, saber desse tal elo "psiquico".
Sentei confortavelmente em minha cama e reuni toda capacidade minha de concentração e tentei ver se captava algo que estava fora de sua ordem. Foi em vão, não vi nada, nenhuma anomalia e isso só podia dizer duas coisas. Primeira, era algo que não era utilizado através de Chii e Segunda coisa, era algo ligado ao fato de sermos gêmeos.
Passei horas dentro de meu consciente procurando respostas, passei tantas horas que quando terminei me dei conta de algo que devia ter acontecido, mas não ocorreu. Eu não tinha visto Akira o dia inteiro e normalmente Akira nunca desgruda de mim. Levantei da cama e comecei a chamar por ele e assoviava, mas ele simplesmente não veio, revirei a casa inteira menos o quarto da minha irmã.
- Lia, você está ai?
- Leo? Vá embora! Eu estou bem!
- Não Lia, eu to procurando o Akira, você viu ele?
- NÃO! Eu não o vi o dia inteiro! - Disse com uma voz afobada
- Lia o que você está escondendo?
- Mãaaaae! O Leo não me deixa em paz.
- Leo deixe sua irmã em paz, venha pra cá. - gritou minha mãe
- Eu to procurando o Akira, ele sumiu.
- Olhou na casa inteira?
- Sim, mãe. Na casa inteira e nada
- E a sua irmã não viu?
- Ai que tá. Lia está agindo estranho, ela não abre a porta.
- Lia, deixe seu irmão entrar ai, ele quer procurar o Akira. - Ordenou ela seriamente. - Lia não estou brincando, abra!
- Mãe ele não está aqui. - Lia estava com uma voz de choro
- Lia eu vou contar até 3! - Minha mãe estava nervosa demais, Lia nunca a obedecia e ela estava disposta a arrumar isso naquele exato momento.
- Mãe nãooo!!! - Lia berrou. - O AKIRA NÃO ESTÁ AQUI.
A porta do quarto da Lia é derrubada por único chute que dou, a queda da porta assusta a minha mãe e Lia, fazendo ela pular na cama com algo em seus braços.
- Lia o que é isso em suas mãos. - Já invisto pra cima dela imaginando o pior. - Lia o que é isso?
- Eu não queria fazer isso, eu não queria, mas as vozes me obrigaram.
Lia estava com o Akira nos braços, ele estava coberto por um vermelho carmesim, assim como as mãos dela. Aquilo me fez ficar tonto, como pudera minha irmã matar meu cachorro, como?
- Me desculpa Leo, foram as vozes, as mesma vozes que me contaram aquilo. Elas disseram que o Akira iria te fazer mal, disseram que o Akira era um cachorro mal!
- Que vozes Lia? Isso não justifica o que você fez, como pode ouvir vozes que te incitavam a matar ele?? COMO???. - Levanto minha mão para bater nela, mas não é minha mãe nem os braços de Lia que me seguram, são suas palavras.
- Por que quem dizia as palavras era o Yan, foi ele que me disse pra fazer isso, foi..
..a voz do Yan que me mandou matar o Akira.
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