- Não posso mais viver em casa, eu matei um homem!
Eu estou em um ônibus e nem sei pra onde estou indo, só fujo de um lugar que um dia foi minha casa. Eu matei o Robert, eu o sequei até a morte, eu sou um monstro!
- Moça, tá tudo bem? - um homem que estava na poltrona ao lado ouve o meu choramingo. - Você disse algo sobre matar um homem?
- N..não, eu não falei nada disso.
- Motorista, pare o ônibus! - o homem se levanta e chega perto de mim. - Você não é aquela menina que secou um homem?
- Cara, tá chovendo, eu não quero te machucar, volta pro seu lugar! - minhas mãos já apontam pra ele, esperando apenas o movimento dele.
O homem avança em minha direção, eu puxo a água da chuva, ela quebra o vidro do meu lado e se torna um escudo de água, me dando tempo pra pular a janela do ônibus.
Eu consegui escapar daquele homem, mas pelo que parece, eu já sou procurada. Eu estou confusa, com medo e com frio.
- Eu estou orgulhosa e com certa vergonha de você, Amy. - Lunnyah estava me olhando de uma poça de água.
- Por que me deu esse dom? Eu não o queria! Você acabou comigo!
- Eu te dei vida! Eu te dei razão, você ficava no quintal da sua casa se perguntando se um dia iria conseguir sair dali e ter uma vida digna!
Havia razão em suas palavras, eu amaldiçoou e abençoou esse dom, graças a ele eu posso começar do zero, mas eu sinto falta da minha mãe.
- Amy, siga para o norte e você encontrará uma razão.
Após tais palavras Lunnya some na poça, me deixando sem opções a não ser seguir ao norte.
- São $13,00, moça. - diz uma atendente que vende passagem de ônibus.
- Certo.
Meu dinheiro está acabando, sai de casa as pressas e nem pude pegar uma boa quantia de dinheiro ou roupas limpas, preciso de um lugar pra ficar. Até quando terei que ir pro norte? Fazem 7 dias que não vejo e nem falo com a Lunnyah, apenas sigo pro norte.
- Ultima chamada, por favor passageiro entrem no ônibus com..
Antes que eu pudesse terminar de ouvir a mulher que anuncia os ônibus, um grupo de 3 pessoas entra na rodoviária, eles atraem a minha atenção e de uma forma diferente, me causam um medo irracional. Eu me levanto da cadeira e sigo em direção a um ônibus que estava com os passageiros entrando, eu apresso o passo e de canto de olho eu vejo que um deles me percebeu e chamou a atenção dos demais. Eu começo a correr e em seguida o grupo me persegue, por sorte o ônibus está próximo e minha sorte é que o motorista barre eles.
- Passagem por favor. - Pergunta o motorista com a mão estendida.
- Aqui, senhor. - Eu vejo eles se aproximando.
- Tenha uma boa viagem.
- Senhor, aqueles três ali não tem passagens. - Foi puro instinto.
- Obrigado, Moça. - Ele se apronta para barrar eles
Quando entro no ônibus e sento na poltrona referente ao número no meu canhoto, que por coincidência é na janela, eu observo eles serem barrados pelo motorista.
- Senhores, passagem.
O do meio encara o motorista e volta os olhos para a janela em que estou. O que está me encarando, parece ter 25 a 26 anos, ele tem cabelo preto curto e olhos castanhos, tem alguns piercings no rosto, próximos a boca e na sobrancelha direita. Ele tem um estilo meio punk, tem roupas longas rasgadas e "sobre-tudo", tem "spikes" nos punhos. Os outros dois são parecidos com ele, o que muda era os olhos e o cabelo, um deles tinha olhos azuis e cabelo loiro e por fim, o ultimo tinha cabelos castanhos e olhos pretos.
O motorista pede para que eles se afastem do ônibus por que ele vai sair, mas eles ignoram o motorista e continuo a me encarar, eu evito contato visual e fecho a cortina, por pouco eu escapei. Não entendo quem eles eram e nem o que queria, consegui escapar por instinto. Espero que não aconteça de novo.
Enquanto vejo as lojas, casas e prédios passarem pela janela, eu começo a me lembrar do que fiz com Robert, lembro da expressão da minha mãe olhando pra mim com medo, lembro de meu pai correndo até o telefone para ligar pra polícia. Por que ele teve que fazer isso? Por causa dele eu entrei correndo na cassa, peguei uma mochila e juntei as roupas que pude, entrei no quarto da minha mãe e peguei $300,00 na gaveta dela e sai correndo. Deixei Carlota em cima de minha cama, sinto falta dela.
Me vejo em uma pradaria ensolarada, em minha frente tem um bosque com pinheiros que tem corvos sobrevoando, eu não penso, só sigo para o bosque. O bosque foi plantado, eles tem exatamente cerca de 80 centímetro de espaço entre eles, ficam em fileiras e os corredores paralelo a eles eh um pouco maior que 1 metro. No final do bosque, tem um precipício e o clima já mudou, parece que vem tempestade do oeste, aonde tudo que vejo é a continuação do bosque atrás de mim. O precipício é tão fundo que mal vejo o final dele, parece que se alguém cair ali, não voltará tão cedo. Uma mão aparece no meu ombro e eu ouço.
- Vai ter que confiar em mim.
A mão me empurra para o precipício, acho que nada mais me surpreende. Na queda tudo o que vejo é a escuridão, mas ouço o vento raspando entre meus ouvidos, sinto que aquele abismo não tem fim. Abro meus olhos e estou na base dele, e vejo em minha frente uma casa branca, ela é de dois andares, e tem um portão na frente. Tem três janelas na frente da casa, elas tem a borda amarelada e vidros mau limpados, a porta é grande, um pouco mais de 2 metros, tem duas janelas ao lado e são aquelas que tem baú dentro. A cerca dela é de ferro, cheio de pontas, com um portão quebrado, mas o que me chama a atenção mesmo, é que a casa tem um jardim, um jardim de cobras. Um vulto sai da casa e chega até o portão, as cobras começa a picar ele, mas ele não tem nenhuma ação com elas, ele estende a mão pra mim e diz:
- Você ainda não confia em mim não é?
- Como posso confiar? Eu..
Duas mãos aparecem em meu ombro e me puxam para fora do sonho:
- Moça, já chegamos. - O motorista está do meu lado me acordando. - Acorda moça.
- Eu dormi? Ahh desculpa.
Estou em uma outra rodoviária, logo que desço tem dois caras me esperando, um alto e um baixinho, maior do que eu, mas comparado ao primeiro é menor, eles estão calmos e felizes em me ver.
- Segunda? - Ele sabia.
- Sim?
- Somos o Primeiro e o Quinto, por favor, nós acompanhe..
O Clã, de fato existe..
₢°
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